segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Monismo: O Conceito Real de Deus.

MONISMO, o que é? No dicionário não encontraremos definição. A primeira vez que foi citada no livro A Grande Síntese por Ubaldi, tratava-se de palavra nova. Mas, como disse a entidade "Sua Voz", se nos prendermos à palavra perderemos o conceito, isto é, o verdadeiro "espírito" de seu significado.
Trata-se de uma evolução na maneira de definir Deus e seu verdadeiro papel na Criação. Primeiro tínhamos o Politeísmo, e evoluímos para o Monoteísmo. Ambas no sentido Antropomórfico, ou seja, Deus numa concepção humana, com atributos humanos. Até chegar em Jesus, via-se um Monoteísmo com esse sentimento puramente humano, onde Deus podia ser vingativo, invejoso, irado, enfim, com todas as paixões humanas, inclusive no processo criador. Isto porque dá o Monoteísmo, também, a idéia de um Deus criador a partir do nada, ou seja, criando exterior a ele. Ora, o nada não existe, nunca existiu. Sendo assim, raciocinando com mais profundidade, não podemos conceber Deus criando com elementos externos, se esses elementos nunca existiram sem que fossem criados, porque senão teria tido ou teriam tidos outros deuses antes desse que conhecemos. É lógico! Então, se aprendemos no Monoteísmo que não há nem houve outros deuses, Deus só podia criar com elementos de Si mesmo. Não pode ser Deus distinto da criação. Deus é o Princípio e forma, Causa e Efeito, imanentes e incindíveis. Isto, é em síntese, o que significa Monismo. Deus é a própria Criação. Por causa disso, Pietro Ubaldi foi condenado pela Igreja Católica, e este livro entrou para o Índex(1). Abaixo temos as palavras ditadas por "Sua Voz", enunciando este novo conceito para que possam meditar sobre Monismo:

"Acerquemo-nos ainda mais da questão a ser desenvolvida. Necessárias se faziam estas premissas para vos conduzir até aqui. Observai como procedo no desenvolvimento do meu pensamento. Progrido conforme uma espiral que gradualmente estreita as suas voltas concêntricas e, quando passo novamente pela mesma ordem de ideias, é para tocar o raio que parte do centro, num ponto que lhe está sempre mais perto. Para esse centro vou guiando o vosso pensamento. Nesta exposição parto do exterior, dirigindo-me para o interior, isto é, da matéria, que constitui a realidade para os vossos sentidos, indo para o espírito, que contém uma realidade mais verdadeira e mais alta. Vou da superfície à profundidade, da multiplicidade dos fenômenos ao princípio uno que os rege.
Encontro-me no outro pólo do ser; no extremo oposto aquele em que vos encontrais. Racionalistas que sois, sois análise; eu, intuitivo (contemplação, visão), sou síntese. Desço entretanto agora, à vossa psicologia racional de análise, tomo-a como ponto de partida, para vos levar à síntese, que é ponto de chegada. Parto da forma para vos explicar a obscura e palpitante impulsão, o motor que a anima, tenazmente aprofundado no mistério. Penetro, resumo e abarco num Monismo absoluto todo o imenso detalhe do mundo fenomênico, cuja imensidade imaginareis multiplicando-o pelo infinito do espaço e do tempo; canalizo a multiplicidade dos efeitos, de que a ciência encontrou fadigosamente alguma lei, para as vias que convergem para o Princípio Único. Farei de um mundo que pode parecer caótico para as vossas mentalidades um organismo completo e perfeito. A complexidade que vos apavora será reconduzida e reduzida a um conceito central, único e simples, a uma única Lei que tudo rege.
Podereis denominar isso de Monismo; todavia deveis cuidar mais dos conceitos dos que das palavras. A ciência tem crido alguma vez, haver descoberto e criado um conceito novo, pelo fato de ter cunhado uma palavra. E o conceito é este: assim como do politeísmo tendes passado ao monoteísmo, isto é, à fé num único Deus (todavia sempre antropomórfico, por isso que opera uma criação exterior a si mesmo) agora passais ao Monismo, isto é, ao conceito de um Deus que "é" a criação
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"
(1) Constituição Dogmática do Concílio Vaticano que diz "Deus é distinto do mundo por seus atributos e por sua essência" .E o Concílio de Latrão, 4 (1215).