Quem era Jesus para seus contemporâneos?
Nem
falarei dos Saduceus, Fariseus e judeus ortodoxos de Seu tempo, que o tinham em
conta como blasfemador e louco. Mas dos íntimos. Daqueles que conviveram
intensamente com Ele quando recuperou Sua Divindade no ano 30, e durante três
anos mostrou-Se na intimidade à sua família e aos discípulos.
Após
o primeiro prodígio, o que poderiam ter pensado, queimando em seus corações a
esperança da promessa de Isaías, Ezequiel, Jeremias?
Algo
talvez assim: “Quem era este Homem, capaz de transformar várias talhas de madeira com
água, no melhor dos vinhos?
Tremei, Roma! Tremei!”
O
Messias esperado, o Libertador político, social, econômico, religioso e militar
passou a ser uma realidade, e estava ali sentado com eles, e Ele não era
qualquer um. De carne e osso! E deveriam se perguntar, confusos, como Deus
podia se fazer homem?
Porém,
poucos captaram que Ele não era o Messias vingador do qual falaram as
Escrituras. Era muito mais que isso...
Jesus
é um Príncipe naquele Reino que queria implantar, um governador de um reino
universal, na qual a Terra era seu campo para fertilizar as frondosas árvores
da Paz do futuro. Quem enxergou isso dos que convivam com Ele? Poucos. Poucos
tinham “os olhos de ver”.
Ora, Ele repetiu diversas vezes que veio de Deus, que conhecia o verdadeiro Pai (Abba),
cuja missão era outra diferente das que profetizaram os antigos. Desfilou,
pelas palavras e pelo exemplo que este Pai não é vingativo, nem racista, nem
cruel, nem castiga os pecadores, antes, Seu Amor é maior que a Justiça.
Frequentemente,
Jesus também os alertou, profetizando que Ele e os seus seriam perseguidos
pelos seus inimigos, e, finalmente, que Ele seria preso e executado com a
vergonha na cruz, com extrema dor, e não só física, mas a dor moral, do coração
constrangido pela incompreensão do homem. Aquele mesmo Homem que transformou
água em vinho, que fez mais tarde curas impressionantes, todo doçura,
misericórdia e perdão em pessoa, como poderia ser crucificado? “Não! Estas
profecias estão erradas”... Pensaram talvez em algum momento os apóstolos.
Definitivamente,
arraigada naquela tradicional cultura, o Messias Libertador era o ‘quebrador de
dentes’, o executor da ira divina sobre os opressores, trazendo de volta o
Yaveh dos Exércitos*, e isto estava
tão cristalizado em suas mentes e em seus corações, que nem mesmo o Mestre
poderia tê-las modificado. Afinal, foram dezenas de gerações compartilhando
esta “esperança”. A cada cura e a cada prodígio que Ele protagonizou, tais como
acalmar ventos e tempestades, andar sobre as águas, só fortaleceram esta crença:
Jesus era o Messias prometido pelos profetas, e a libertação de Israel estava
próxima. Viam um Príncipe, mas não o da Paz, e sim o do reino material, da
libertação não de suas almas atormentadas, mas de libertador político e social
do povo escolhido.
Cristo
podia não modificar as ideias sobre o Messias, mas sobre Abba, mudar Sua imagem
do “Deus colérico e guerreiro”, isto Jesus conseguiu, mas só após sua
Ressurreição, porque até mesmo Pedro, no momento da prisão de Jesus, estava
armado, e retirou sua espada para tentar matar o soldado Malco, que teve a
orelha decepada. “Pedro, guarda tua
espada! Pois em Verdade vos digo que quem pela espada ferir, pela espada será
ferido”. Aqui Jesus começa a exemplificar que Seu Reino não era o da guerra
nem da violência, e arremata na cruz indigna Seu verdadeiro triunfo: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem!”.
E
completo: ...“Não sabem quem Eu Sou!”.
*Isaías, capítulo. 48:
“O Deus de Israel – Yaveh dos
Exércitos, é o seu nome”.

