domingo, 26 de maio de 2013

O que é Evolução - Parte III


                                                       

A coisa mais difícil de entender na Evolução é que vivemos hoje na ignorância, carentes em sua maioria de conhecimento, e ainda pior, em contraste com um mundo cheio de dores e sofrimentos. Olhando assim, parece que nada esteja evoluindo. É um método estranho que a Lei de Evolução se serve, porém, indubitavelmente o único que nos faz avançar mais rápido. Veremos mais a frente. Ora, como evoluir em um mundo de terror como este chamado Terra? Se não possuímos mais aquele Conhecimento Divino, e recomeçamos simples e ignorantes, é fatal que erremos e com isso nos chocar contra as leis divinas! O que ocorre depois então é que da ignorância, vem o erro; o erro gera dor e sofrimento; se o ser reflete pode se redimir e avançar; do contrário, se rebela mais e afunda no abismo de mais dor, de mais sofrimento. É um processo que nos parece cruel. Isto ocorre quando o Amor de Deus cede lugar à Sua Justiça! Porém ainda sempre Amor, pois tem o objetivo de salvar Sua criatura. Na vida podemos escolher um evento desse choque contra as leis divinas. Este choque se dá mais ainda quando observamos o comportamento humano, onde vemos que os que se utilizam do mal parecem vencer; um exemplo bem frequente em nosso país é de um político corrupto; ele age impunemente e fica cada vez mais rico ilicitamente; goza da felicidade do mundo com os bens alheios, do povo; chegam alguns até a velhice sem nunca devolver um real sequer, de não ter ficado na prisão nenhum dia, enquanto que, em sua ação nefasta, milhares ficaram sem dinheiro para a educação, para saúde, ou até a merenda das famintas criancinhas foram usurpadas. Eis o resultado: Um usa da inteligência que construiu para agir astutamente em se dar bem, outros milhares recebem o seu golpe e se privam a vida inteira! Um foi o algoz; milhares foram suas vítimas! Onde há evolução aí? Respondo, na Justiça Divina, onde tudo tem de ser devidamente reparado. Porém, perguntam: Onde está esta justiça, se o político morre velhinho gozando de uma vida abastada, e ficou impune pelas leis humanas? Isto é o que o mundo viu. A Lei Divina vê outra coisa. Vamos explicar isto a seguir...

Na Parte II vimos que Evolução veio de seu contrário Involução; vimos também que neste universo Relativo, a Evolução só se faz com redenção. Lembram que escrevemos que a “Evolução consiste na reabsorção do erro pela dor, do pecado pela penitência, da ignorância pela experiência, do negativo pelo positivo”? Que a Evolução é o trabalho de correção, na direção de Deus? Pois bem, dei este exemplo para observar que tudo isso que lembrei na Parte II se encontra aqui em todos os detalhes. Eis a Justiça na ótica da reação da Lei. O que o mundo não vê e a Justiça Divina vê, é que o político corrupto é o algoz, que experimenta e age com sua ignorância das leis divinas, lançando com sua ação, um impulso Anti-Lei, Anti-Deus. Os nossos Destinos se fazem por lançamento de trajetórias, como bem explicou Jesus nas "sementes"; elas são lançadas em direções positivas, no bem, e negativas, no mal. As condições futuras para o político serão totalmente desvantajosas, porque ele acaba de atrair a trajetória da Reação da Lei, porque agiu de forma contrária a ela em sentido negativo. Pelo fato de os impulsos serem errados, é fatal a necessidade de corrigi-los. Aqui se explica o que parece ser um método cruel, quando alguém vem experimentar na Terra dor e sofrimento. Na Parte I escrevemos os “Três modos de viver”, e esta ação do político engloba o da maioria, que estão dentro dos dois primeiros modos, que são os que “oprimem o fraco com sua força e usa da astúcia pra ganhar em cima da inocência do ignorante.” Agora vamos entender a parte da Justiça, onde as vítimas do político, que vão sofrer privações, são instrumentos da Evolução. A conta é simples! Só sente dor quem a gerou em seu semelhante; só experimenta a penitência, quem pecou contra seu próximo; assim, as vítimas de hoje foram os algozes do ontem. Aqui entra a reabsorção do erro, o trabalho de correção, enfim a redenção. Eis porque escrevi logo no início deste texto, que a humanidade deste mundo não pode entender outra coisa para se salvar, que não seja através do sofrimento e da dor. A evolução é complexa, porque não se evolui só assim, mas evoluem também aqueles que no “modo de viver” estão em redenção, colaborando pelos irmãos que sofrem, adquirindo conhecimento e usando-o em favor de todos. Evolui quem está em penitência; evolui quem está se redimindo perante a Lei.

Isto prova que Jesus foi muito prático e nós que complicamos tudo. Ao afirmar Ele que “amemos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, é que agindo contra o próximo, estamos na verdade agindo contra nós. As sementes más nos darão plantas daninhas, venenosas; as trajetórias lançadas em sentido negativo, nos cobrará reparo em futuros destinos de sofrimento e dor. Parece-nos ser um absurdo quando lemos isso, saber que fazendo o mal a outrem fazemos a nós mesmos, e ainda assim, fazemos! Mas é a pura prática da vida, e é o que geralmente cometemos. Cristo estaria mentindo sobre tudo que disse no Sermão da Montanha, e que se encontra também escrito aqui quando falamos de Evolução. Ora, Ele falou de quem está injustiçado, encontrará a justiça; ou estaria também mentido quando disse a Pedro: “Quem fere pela espada, pela espada será ferido”; e a maior mentira seria a do exemplo de sua própria existência entre nós, quando sofreu, carregou sua cruz, e mesmo assim não reagiu, perdoou. A prova maior de que a redenção se concretiza, é que Jesus volta redivivo em Luz e Verdade, e que o sofrimento e a morte se foram, e Ele avançou em direção ao Pai. Como Cristo, sem que sejamos dignos de comparação, mas é uma condição geral da vida na Terra: sofrer e perdoar. E somos tão pequenos que são duas condições terrivelmente inaceitáveis no entendimento humano: sentir dor sofreendo resignado, e perdoar aqueles que nos causam sofrimento. Cristo não fez isso para se mostrar superior, mas para servir de exemplo.

Para a humanidade, aceitar que é sofrendo que se redime para a vida eterna, é tão estranho, como para aqueles que não conseguem ver a vida de Jesus como algo útil. Para o mundo, em geral, Cristo é um iludido, um fraco, um vencido; olham aquela missão de extremo sacrifício pelo próximo, mas o que Ele obteve de resultado foi sua crucificação como malfeitor, entre ladrões. Como diria o escritor, doutor Giovanni Albanese, querendo chamar a atenção das pessoas que Cristo foi tão grande, e o tornamos tão pequeno: “Proclamas-Te Salvador, e não conseguiste salvar sequer a Ti mesmo”. Ele escreveu isto para mostrar a visão deturpada em geral do mundo em relação a Cristo. Não é a de todos, felizmente. Mas a verdade é que, eis que Ele volta três dias depois com seu corpo glorioso, como sempre afirmava em Espírito-Verdade. Essa Sua atitude de ressurreição é muito maior que o ato maravilhoso de se mostrar ainda vivo aos olhos do homem comum. Foi muito mais para provar-nos que o sofrimento que passou o redimiu perante Deus, e o fez avançar a maior de todas as glórias, estar de volta com o Pai nos céus. Por isso uma de Suas mensagens finais foi: “Eu carreguei minha cruz e venci o mundo! Que cada um, pois, carregue sua própria cruz”! Ou seja, que cada um assuma sua responsabilidade perante as leis divinas, pois pode haver tudo no mundo, menos injustiça! Só se aceita que existe a injustiça àquele que desconhece Deus e sua Lei. Por isso, não escrevo sobre Evolução para que concordem ou aceitem, mas para que reflitam. O tema Evolução não pertence ao reino da “crença”, mas ao do “conhecimento”.


Concluímos este texto respondendo a pergunta deixada no ar na Parte II, que não há outro modo que Deus pudesse escolher para evoluirmos, sem ser este que conhecemos: cada um carregando sua cruz. A humanidade quando age de forma insana, não se questiona naquele instante se queria passar pela maldade e crueldade que está fazendo seu próximo sofrer, porém, quando sofre as consequências de seus erros, tem dois caminhos a enfrentar: 1- refletir e redimir-se; 2- se revoltar e se rebelar ainda mais; Um caminho avança, o outro estaciona, ou piora ainda mais sua vida futura. O homem quando é mau usa do chicote contra o próximo; entretanto, ele odiará no futuro experimentar o açoite que um dia infligiu; são estes que se rebelam e se acham os injustiçados; é muito fácil ferir, duro é experimentar o mesmo ferimento. É claro que há outros modos de evoluir, aliás, milhares. Porém, o do estágio atual é o de ignorância, onde podemos perceber e despertar apenas pelos sentidos da dor. Entendemos assim que não há outro modo de evoluir, por que Deus sabe que neste estágio de pura ignorância o homem fará maldades e muitas atrocidades, e o homem só despertará desse transe louco, experimentando de volta o que infligiu. A Lei de Deus é perfeita, e o choque contra ela com a ação má do homem, recebe a natural reação, que se faz perceber apenas na forma de dor, e não apenas pelas revelações ou advertências divinas. Querem uma prova? As advertências e as leis divinas os homens conhecem desde Moisés, e isto não os impediu de cometer maldades ao longo dos milênios, não é verdade? Os Dez mandamentos até hoje não são cumpridos à risca nem por um só homem, quem dirá a humanidade que nasce neste mundo de provas e expiações, da luta feroz pela vida! A Lei de Deus está acima das religiões dos povos, e das leis transitórias dos homens. O homem com sua ignorância quer sempre violar a Lei, mas ela é incorruptível. Esta é a nossa natureza, violar, destruir. Porém, ou o homem segue no conselho de Cristo, ame ao próximo como a ti mesmo, ou segue se chocando contra as reações da Lei, que não quer que o homem se afaste, mas se aproxime de seu Criador. A ignorância nos faz agir assim. É por este motivo que na Parte IV e V falaremos muito dessa questão do porque sermos ignorantes dessas leis, e ainda assim sofrer as consequências por desprezá-las; falaremos muito ainda do porque termos perdido o Conhecimento Divino.