Estamos diante de novas visões do mundo social, onde razão e fé entram em
choque. Esse choque, antes de mais nada, é benéfico. Explorar os temas do
egoísmo, guerra, economia, desigualdades sociais, tem exclusiva intenção de
formar uma nova base biológica, onde os meios científicos, mais o sofrimento, a
dor, e a nova consciência que surge, tragam a imperante necessidade de
organizar o nosso mundo em harmonia com as leis universais. Embora todas essas
ideias sejam de natureza utópica, elas satisfazem ao raciocínio, e pouco a
pouco elas vão se estabelecendo no pensamento filosófico do homem, de sorte
que, veremos no futuro, o quanto tudo isso tinha razão de ser exposto aqui
dessa forma, como Pietro Ubaldi nos apresentou no livro A Grande Síntese. Perguntaremos um dia como o
homem foi tão idiota, ao rejeitar os princípios do Evangelho de Cristo, tão
irrealizáveis para nós agora, mas que será lei biológica do futuro. Neste
ponto, a condução dos líderes em todos os setores tem total importância na
realização dessas transformações biológicas, lentas, porém inevitáveis e
irresistíveis, porque têm a direção do poder mais Alto.
Começamos a ter noção do papel desses líderes, de como o mundo tem sido
governado desde os seus primórdios, como é hoje e como deverá ser no futuro.
Vemos, neste sentido, uma evolução do Estado, que irei comentar adiante. O
governo dos organismos sociais começou com o monopólio da força, da
brutalidade, para que o ser obedecesse. Agora, leis já surgiram para regular
nossos atos como cidadãos. Direi mais, que o mundo é governado antes por aquela
Lei Maior, da qual o homem é o seu principal instrumento, sem sequer suspeitar.
A responsabilidade então sobre os dirigentes é pesadíssima, principalmente se
eles não executarem aquilo a que foram chamados.
A sociedade humana, como organismo, encontra a sua base nos fenômenos
biológicos; os fenômenos sociais assim, também são esses fenômenos intimamente
interligados. Todas as sociedades devem ter equilíbrios exatos, seja a humana,
seja a animal. Esse equilíbrio se alcançará de tanto pesquisar as causas, e,
encontrando estas, que são complexas e ainda nos escapam aos sentidos,
encontraremos assim o pensamento diretor de Deus. É a Este líder que a vida
segue, sem suspeitar! Quando dominarmos as causas dos fenômenos biológicos,
sociais e espirituais, compreenderemos as leis, e assim saberemos a exata
posição da progressão desses fenômenos, para tornar fácil “adivinhar”, em
qualquer campo, para estabelecer o futuro da humanidade.
A relação entre causa e efeito nos faz ver um determinismo histórico
inviolável. Voltamos a falar de determinismo mais uma vez. Ele se aplica no
particular e veremos que se aplica também no geral. Se há um destino de um
homem, há o destino de um povo. Aquele cálculo de responsabilidades a que me
referi atinge o equilíbrio na liberdade coletiva. Não enxergamos nada disso,
porque o nosso mundo sempre viu as coisas pelo lado material, físico e isolado;
nosso limite é a matéria, portanto não podemos ainda ir mais além. O fenômeno
histórico é para o homem fenômeno da causalidade, onde quem dirige esse destino
coletivo é o próprio homem. Engano absurdo, porque não é só dele, na qual é
apenas instrumento, mas a direção é de ordem Superior. É como numa escola, onde
os alunos, dentro das leis internas atuam com uma certa liberdade; o seu limite
é determinado por um diretor, que pode expulsá-lo do sistema escolar desde que
este não siga as regras, sem nem mesmo vê-lo e nem chegar a conhecê-lo; mas
enquanto isso, para este líder, o diretor da escola, tudo o que faz para o seu
progresso entre as turmas de classe, tem um destino certo, que já está
pré-determinado (se formar), ficando o tempo dessa realização ao encargo do
aluno; cabe ao aluno seguir ou não seguir, terminar logo ou não,
estacionar ou avançar.
Assim é a Escola Vida, onde há um Diretor, e embora não possamos vê-lo e nem
conhecê-lo, eis que há suas leis e regras, para um destino e objetivo traçado
para a necessidade de cada aluno, pela aptidão de cada um, para que em cada
etapa entre seus cursos (suas vidas), atinja seu nível máximo e passe à frente,
ou retorne, caso não tenha passado nas “provas” da vida.
Não compreenderemos a história do mundo se não entendermos as leis, pois a Lei
de Deus é a que verdadeiramente a comanda; é ela que nos impõe o início do
ciclo e seu esgotamento; é ela que faz nascer civilizações e desaparecer; é ela
que determina os líderes e governantes. Ficamos sem entender nada,
porque só enxergamos os choques desordenados e as ações externas que sacodem os
povos, quando no âmago há sempre a ordem, um resultado. Ela, a Lei, é que faz a
história. Isto é tão lógico, que se assim não fosse, o caos só geraria a
desordem, e a história nos mostra que há uma linha exata de progressos e
regressos, de revoluções e maturações, quando ciclos que em um período ora são
destrutivos, ora criativos e construtivos em outro. Mas, quando uma civilização
cai pode ter certeza que outra se levanta; se algo é destruído, é para
reconstruir mais forte, melhor e mais alto. A história não é feita de fatos
sucessivos e desordenados, mas é um funcionamento orgânico resultante do
amadurecimento biológico. Nessas revoluções se encontram a exteriorização
máxima do sofrimento, da dor e da morte, porque esses estados acompanham as
civilizações enquanto elas disso necessitarem; a experiência dessas situações,
e o esgotamento por enfrentá-los, atuarão, sem que ninguém perceba, no
progresso individual de cada alma. E onde entram os líderes nisto tudo?
A vida e missão de um governante mudam as vidas dos governados. Nesse início
sintamos quanto é grave e perigosa tamanha responsabilidade. Nos povos se
encontram uma grande reserva de homens-chave para todas as necessidades e
coloca em evidência ora um, ora outro, de acordo com a sua especialização
evolutiva, para que seu ser renda ao máximo para esta ou aquela civilização. A
lei lhes garante substância e garantia nas forças biológicas, para o
desenvolvimento de sua missão; mas derrubam-no logo que ele não lhe corresponda
mais ao objetivo; assim no indivíduo, assim na coletividade (como exemplo, é só
lembrar de Roma). Vejam só como funciona: a História chama esses homens-chave
para as construções do futuro, incentiva-os, desperta-os, levanta-os; mas logo
que cessa a função, seja pelo o abuso, tempo ou por não cumprimento a que foi
chamado, derruba-os sem melindres, sem pena, sem saudosismo. Dá a cada um,
segundo o que realizaram. Não é demais lembrar o que nos sucedeu nas mãos de
líderes duvidosos ou sanguinários como: Adolf Hitler, Vladimir Lenin, Josef Stalin, Saddam
Hussein, Ivan (o terrível), Muamar Kadaffi, Saloth Sar (Pol Pot - líder do
Khmer vermelho), Mao Tsé-Tung, fora os que tinham o poder religioso e falharam, como alguns Papas, Aiatolás, etc. Como disse acima, a missão é gigantesca, o risco é
terrível, e só passa pela prova e sobrevive quem tem raça, sabedoria, valores
humanos superiores – não falo só de virtude, mas de comando-, sabendo intimamente
valorizar e compreender as forças que estão em suas mãos; ajustam e controlam
essas forças que os rodeiam, sem deixar serem arrastados por elas.
A posição do líder é de dever e obediência, do exemplo aos princípios da Lei
que a maioria desconhece ou despreza. A hierarquia humana é uma zona que tem
limite máximo e mínimo, e essa posição é relativa porque existe sempre um
Comando Superior além dos limites humanos, que premia ou pune tanto quanto deve
prestar contas de suas obras, e esse comando é a Lei de Deus. O líder alegra ou
decepciona a ordem divina, e é confiada tanto a quem subiu espiritualmente em
sua experiência milenar, como quem não avançou espiritualmente. Toda função
humana é missão, mesmo nas mais humildes atividades sociais; assim, o que subiu
espiritualmente tem mais responsabilidades que aquele que não se elevou tanto.
Justificou bem o Cristo quando nos disse: “a quem
tem, muito será pedido; quem tem mais, lhe será acrescentado; quem não tem, lhe
será tirado”. Isto é muito profundo e faz parte do mecanismo da Lei,
e que só hoje entendemos o significado das palavras do Nazareno.
Falo da base biológica da distribuição de poderes, cujos fins para se atingir a
evolução não andam por regimes rígidos e sim flexíveis. Há uma responsabilidade
única entre governante e governado, porque enquanto um tem o peso do mando, o
outro tem o peso da obediência. Vai se expor à Lei de reação, quem assumir
compromisso com a responsabilidade de dirigir e não corresponder, porque estará
fraudando essa Lei, e armará contra si os acontecimentos humanos. Já lembramos
dos romanos como exemplo, e lembraremos também da França. Durante a monarquia
francesa, Luis XV mereceu a revolução; aqui a Lei o derrubou com os governados
que não lhe deviam obediência; já Luis XVI, que foi um justo, sofreu sozinho
contra o destino de classe, entre as forças que estavam saturadas e acumuladas
durante um século; os governados não lhe deram obediência, porque essa
construção social, mesmo baseada na legalidade, não pode resistir, enquanto não
estiver sendo dirigida pelos princípios do Alto, por um impulso da Lei Divina,
por isso aquele regime foi agredido por suas reações. Napoleão, que foi mero
instrumento da guerra que difundiu as novas ideias, foi derrubado e tirado fora
sem dó, logo que a sua função se encontrou esgotada pelos princípios daquele
Comando Superior invisível. Vemos aqui o soberano domínio da Lei nos
acontecimentos humanos, que muitos acham que tem acaso; por isso estamos
resumindo a história e seus líderes para mostrarmos o entrelaçamento
intrínsecos de forças e causas em movimento progressivo, cujas reações
estabelecem o equilíbrio, afim de que ocorram as determinações Divinas. Basta
examinar cada resultado.
A humanidade sempre terá guias, e eles se encontram em todas as faixas e áreas
da história da vida. Mas chegou o grande momento de uma nova direção para a
curva da liderança. A nova civilização, que já estacionou suas bases no mundo,
carece de um chefe para esse novo organismo que o homem sente, mas não
vê. Sempre que surge uma aurora para as novas civilizações ela vem
acompanhada de grandes maturações sociais, e essa curva decisiva já se mostra
no horizonte, e os homens não podem ser guiados por serpentes vacilantes. Nós
parecemos estar perdidos em crises conflitantes, arruinados, desamparados de
justiça, porque é esse o desenho que nos mostra o mundo; assim está escrita a
história da humanidade e todo o seu passado. Mas apesar desse quadro, vemos uma
forma por superfície, mas não é o que ocorre no fundo, onde impera uma ordem
invisível aos olhos do homem comum. As forças do imponderável nos sustentam
para que continuemos a construir e criar com nossa maturação, a nova estrada.
Já disse que a vida do chefe é suprema missão, e Deus não nos deixará órfãos
dos bons missionários, que nos tirem do lamaçal de dor e sofrimento que nós
mesmos criamos nesses milênios de civilização.
Mais uma vez chamo a atenção para a Grande Lei, que age no silêncio dos
fenômenos, e que faz desencadear forças titânicas para sustentar todas as
coisas, e amadurecer tudo com perfeita harmonia para metas já traçadas pelo
Alto. A vida dos povos, por isso, não ficará isenta desses equilíbrios
profundos, assim mesmo até nas que nem suspeitamos como a vida orgânica e inorgânica,
por exemplo, tem de haver equilíbrio; sabemos que estas produzem, no seu
momento de maturação evolutiva, a célula ou a molécula adequada; também ocorre
isso com os povos, nesse momento decisivo da sua evolução, o seu líder, seu
personagem, a sua ‘célula superior’, que se diferenciará pela sua direção e
comando, porque essa será a sua natural capacidade. Não se enganem. O líder,
nos momentos de exceção é escolhido por seleção biológica, porém no momento
decisivo, a Lei intervém diretamente, superando qualquer convenção social dos
homens. Alterando resultados inesperados. Podemos com segurança afirmar, que
por essas mesmas leis biológicas, os povos recebem os líderes que merecem. Já
ouvimos isso em algum lugar! Pois é assim. O povo produz aquilo que lhe é
íntimo, que reconhece e se afina; como reclamar, algumas vezes de nossos
líderes, se a massa tem o poder ¾ e muitas vezes não
sabe ¾, de elegê-lo ou expulsá-lo. Querem um exemplo? Como
podemos culpar só Hitler, quando todo o povo alemão em sua maioria concordou
com ele?
O líder de uma raça, nem sempre é escolhido só pelo
voto, mas pelos choques de forças sociais; não só por consenso dos homens, mas
por consenso de forças estranhas contidas nas leis ocultas da vida; essas
forças, cujo controle pertencem ao controle Superior de Deus, comumente
arrastam, com seus líderes, grandes revoluções, furacões e tempestades sociais,
aos quais os homens seguem, sem saber porque. É assim que esses líderes lá
ficam no poder da vida coletiva maior, invulnerável, até que pelas mesmas leis
biológicas, sua função social se encontre esgotada. Assim, vemos o quanto é
absurdo pensarmos que o poder foi escolhido por baixo, pelos níveis biológicos
involuídos que nada enxergam à frente, mas sim por uma Lei diretora da Vida, em
um nível de evolução mais Alto que pode enxergar o futuro, incompreensível para
nós no momento.
Parece um absurdo minhas palavras ao afirmar que a direção da história e poder
dos líderes tem concessão e determinação das forças Superiores. Isto que estamos
discutindo aqui não tem só base no bom senso e no raciocínio, tem credibilidade
nas escrituras sagradas, que o próprio Cristo já a endossou. Quando Pilatos
questiona Jesus sobre o seu poder de libertá-lo ou condená-lo, o Mestre
responde categoricamente: “nenhum poder terias sobre mim, se este não te
fosse concedido pelos céus”. Abrimos aqui a discussão da impossibilidade
desses líderes poderem vir com a permissão Divina, quando muitos deles são
motivos de escândalos, guerras assassinas e toda uma sorte de atrocidades
contra os povos, sejam o seu povo ou os povos vizinhos. Mas esta resposta do
Nazareno não deixa dúvidas. Acontece que esses mesmos líderes não são chamados
pelo Altíssimo para cumprirem detestável missão, que os levam muitas vezes a
essas calamidades desses chefes inescrupulosos, sanguinários, e sim sua própria
liberdade, seu irrefletido arbítrio que determina o seu mau ministério, fugindo
aos propósitos determinados pela Lei Maior. Hitler não foi chamado pelo Alto,
lhe dando permissão pra governar a Alemanha para assassinar os judeus, nem para
dominar o mundo, mas infelizmente ele assim o quis. Sua função de líder se
esgotou, foi abandonado pelas forças Superiores igual foi Napoleão, e vimos o
que ocorreu.
Para terminar esse tópico do poder do homem, precisamos saber de que líder
necessita a Lei de Deus, e qual prevalecerá na humanidade do Terceiro Milênio. Sem
nenhuma utopia, direi que os futuros líderes terão missão exclusiva de educar.
Contamos nos dedos os que realizam bem a sua missão, mas o líder do futuro virá
do lado espiritual da face Superior. Será aquele que governará por dever, não
por direito; por ordem, não por arbítrio; doará, em vez de tomar; não vai pedir
sacrifício, mas se sacrificará; não será servido, mas servirá. O Estado do
futuro funcionará como verdadeiro organismo; o chefe será o cérebro e os
cidadãos as inúmeras células, que mesmo em funções menores e independentes,
terão funções coordenadas e harmônicas. E esse gigantesco Estado evoluirá de
Estado da força para Estado do povo, convergindo as nações para os objetivos do
Alto. Enquanto os povos não amadurecem, seus guias são aqueles que mandam e
ordenam, mas como o mundo marcha para frente, os guias do futuro serão aqueles
que educarão e ampararão.
Sub
capítulo de meu livro Por Que Sofremos e Sentimos Dor?





