segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O Poder dos Homens - O Líder: Do que se espera dos novos líderes na condução dos homens?



         Estamos diante de novas visões do mundo social, onde razão e fé entram em choque. Esse choque, antes de mais nada, é benéfico. Explorar os temas do egoísmo, guerra, economia, desigualdades sociais, tem exclusiva intenção de formar uma nova base biológica, onde os meios científicos, mais o sofrimento, a dor, e a nova consciência que surge, tragam a imperante necessidade de organizar o nosso mundo em harmonia com as leis universais. Embora todas essas ideias sejam de natureza utópica, elas satisfazem ao raciocínio, e pouco a pouco elas vão se estabelecendo no pensamento filosófico do homem, de sorte que, veremos no futuro, o quanto tudo isso tinha razão de ser exposto aqui dessa forma, como Pietro Ubaldi nos apresentou no livro A Grande Síntese. Perguntaremos um dia como o homem foi tão idiota, ao rejeitar os princípios do Evangelho de Cristo, tão irrealizáveis para nós agora, mas que será lei biológica do futuro. Neste ponto, a condução dos líderes em todos os setores tem total importância na realização dessas transformações biológicas, lentas, porém inevitáveis e irresistíveis, porque têm a direção do poder mais Alto.
         Começamos a ter noção do papel desses líderes, de como o mundo tem sido governado desde os seus primórdios, como é hoje e como deverá ser no futuro. Vemos, neste sentido, uma evolução do Estado, que irei comentar adiante. O governo dos organismos sociais começou com o monopólio da força, da brutalidade, para que o ser obedecesse. Agora, leis já surgiram para regular nossos atos como cidadãos. Direi mais, que o mundo é governado antes por aquela Lei Maior, da qual o homem é o seu principal instrumento, sem sequer suspeitar. A responsabilidade então sobre os dirigentes é pesadíssima, principalmente se eles não executarem aquilo a que foram chamados.
         A sociedade humana, como organismo, encontra a sua base nos fenômenos biológicos; os fenômenos sociais assim, também são esses fenômenos intimamente interligados. Todas as sociedades devem ter equilíbrios exatos, seja a humana, seja a animal. Esse equilíbrio se alcançará de tanto pesquisar as causas, e, encontrando estas, que são complexas e ainda nos escapam aos sentidos, encontraremos assim o pensamento diretor de Deus. É a Este líder que a vida segue, sem suspeitar! Quando dominarmos as causas dos fenômenos biológicos, sociais e espirituais, compreenderemos as leis, e assim saberemos a exata posição da progressão desses fenômenos, para tornar fácil “adivinhar”, em qualquer campo, para estabelecer o futuro da humanidade.
         A relação entre causa e efeito nos faz ver um determinismo histórico inviolável. Voltamos a falar de determinismo mais uma vez. Ele se aplica no particular e veremos que se aplica também no geral. Se há um destino de um homem, há o destino de um povo. Aquele cálculo de responsabilidades a que me referi atinge o equilíbrio na liberdade coletiva. Não enxergamos nada disso, porque o nosso mundo sempre viu as coisas pelo lado material, físico e isolado; nosso limite é a matéria, portanto não podemos ainda ir mais além. O fenômeno histórico é para o homem fenômeno da causalidade, onde quem dirige esse destino coletivo é o próprio homem. Engano absurdo, porque não é só dele, na qual é apenas instrumento, mas a direção é de ordem Superior. É como numa escola, onde os alunos, dentro das leis internas atuam com uma certa liberdade; o seu limite é determinado por um diretor, que pode expulsá-lo do sistema escolar desde que este não siga as regras, sem nem mesmo vê-lo e nem chegar a conhecê-lo; mas enquanto isso, para este líder, o diretor da escola, tudo o que faz para o seu progresso entre as turmas de classe, tem um destino certo, que já está pré-determinado (se formar), ficando o tempo dessa realização ao encargo do aluno; cabe ao aluno seguir ou não seguir, terminar logo ou não,  estacionar ou avançar.
         Assim é a Escola Vida, onde há um Diretor, e embora não possamos vê-lo e nem conhecê-lo, eis que há suas leis e regras, para um destino e objetivo traçado para a necessidade de cada aluno, pela aptidão de cada um, para que em cada etapa entre seus cursos (suas vidas), atinja seu nível máximo e passe à frente, ou retorne, caso não tenha passado nas “provas” da vida.
         Não compreenderemos a história do mundo se não entendermos as leis, pois a Lei de Deus é a que verdadeiramente a comanda; é ela que nos impõe o início do ciclo e seu esgotamento; é ela que faz nascer civilizações e desaparecer; é ela que determina os líderes e governantes. Ficamos sem entender nada, porque só enxergamos os choques desordenados e as ações externas que sacodem os povos, quando no âmago há sempre a ordem, um resultado. Ela, a Lei, é que faz a história. Isto é tão lógico, que se assim não fosse, o caos só geraria a desordem, e a história nos mostra que há uma linha exata de progressos e regressos, de revoluções e maturações, quando ciclos que em um período ora são destrutivos, ora criativos e construtivos em outro. Mas, quando uma civilização cai pode ter certeza que outra se levanta; se algo é destruído, é para reconstruir mais forte, melhor e mais alto. A história não é feita de fatos sucessivos e desordenados, mas é um funcionamento orgânico resultante do amadurecimento biológico. Nessas revoluções se encontram a exteriorização máxima do sofrimento, da dor e da morte, porque esses estados acompanham as civilizações enquanto elas disso necessitarem; a experiência dessas situações, e o esgotamento por enfrentá-los, atuarão, sem que ninguém perceba, no progresso individual de cada alma. E onde entram os líderes nisto tudo?
         A vida e missão de um governante mudam as vidas dos governados. Nesse início sintamos quanto é grave e perigosa tamanha responsabilidade. Nos povos se encontram uma grande reserva de homens-chave para todas as necessidades e coloca em evidência ora um, ora outro, de acordo com a sua especialização evolutiva, para que seu ser renda ao máximo para esta ou aquela civilização. A lei lhes garante substância e garantia nas forças biológicas, para o desenvolvimento de sua missão; mas derrubam-no logo que ele não lhe corresponda mais ao objetivo; assim no indivíduo, assim na coletividade (como exemplo, é só lembrar de Roma). Vejam só como funciona: a História chama esses homens-chave para as construções do futuro, incentiva-os, desperta-os, levanta-os; mas logo que cessa a função, seja pelo o abuso, tempo ou por não cumprimento a que foi chamado, derruba-os sem melindres, sem pena, sem saudosismo. Dá a cada um, segundo o que realizaram. Não é demais lembrar o que nos sucedeu nas mãos de líderes duvidosos ou sanguinários como: Adolf Hitler, Vladimir Lenin, Josef Stalin, Saddam Hussein, Ivan (o terrível), Muamar Kadaffi, Saloth Sar (Pol Pot - líder do Khmer vermelho), Mao Tsé-Tung, fora os que tinham o poder religioso e falharam, como alguns Papas, Aiatolás, etc. Como disse acima, a missão é gigantesca, o risco é terrível, e só passa pela prova e sobrevive quem tem raça, sabedoria, valores humanos superiores – não falo só de virtude, mas de comando-, sabendo intimamente valorizar e compreender as forças que estão em suas mãos; ajustam e controlam essas forças que os rodeiam, sem deixar serem arrastados por elas.
         A posição do líder é de dever e obediência, do exemplo aos princípios da Lei que a maioria desconhece ou despreza. A hierarquia humana é uma zona que tem limite máximo e mínimo, e essa posição é relativa porque existe sempre um Comando Superior além dos limites humanos, que premia ou pune tanto quanto deve prestar contas de suas obras, e esse comando é a Lei de Deus. O líder alegra ou decepciona a ordem divina, e é confiada tanto a quem subiu espiritualmente em sua experiência milenar, como quem não avançou espiritualmente. Toda função humana é missão, mesmo nas mais humildes atividades sociais; assim, o que subiu espiritualmente tem mais responsabilidades que aquele que não se elevou tanto. Justificou bem o Cristo quando nos disse: “a quem tem, muito será pedido; quem tem mais, lhe será acrescentado; quem não tem, lhe será tirado”. Isto é muito profundo e faz parte do mecanismo da Lei, e que só hoje entendemos o significado das palavras do Nazareno.
         Falo da base biológica da distribuição de poderes, cujos fins para se atingir a evolução não andam por regimes rígidos e sim flexíveis. Há uma responsabilidade única entre governante e governado, porque enquanto um tem o peso do mando, o outro tem o peso da obediência. Vai se expor à Lei de reação, quem assumir compromisso com a responsabilidade de dirigir e não corresponder, porque estará fraudando essa Lei, e armará contra si os acontecimentos humanos. Já lembramos dos romanos como exemplo, e lembraremos também da França. Durante a monarquia francesa, Luis XV mereceu a revolução; aqui a Lei o derrubou com os governados que não lhe deviam obediência; já Luis XVI, que foi um justo, sofreu sozinho contra o destino de classe, entre as forças que estavam saturadas e acumuladas durante um século; os governados não lhe deram obediência, porque essa construção social, mesmo baseada na legalidade, não pode resistir, enquanto não estiver sendo dirigida pelos princípios do Alto, por um impulso da Lei Divina, por isso aquele regime foi agredido por suas reações. Napoleão, que foi mero instrumento da guerra que difundiu as novas ideias, foi derrubado e tirado fora sem dó, logo que a sua função se encontrou esgotada pelos princípios daquele Comando Superior invisível. Vemos aqui o soberano domínio da Lei nos acontecimentos humanos, que muitos acham que tem acaso; por isso estamos resumindo a história e seus líderes para mostrarmos o entrelaçamento intrínsecos de forças e causas em movimento progressivo, cujas reações estabelecem o equilíbrio, afim de que ocorram as determinações Divinas. Basta examinar cada resultado.
         A humanidade sempre terá guias, e eles se encontram em todas as faixas e áreas da história da vida. Mas chegou o grande momento de uma nova direção para a curva da liderança. A nova civilização, que já estacionou suas bases no mundo, carece de um chefe para esse novo organismo que o homem sente, mas não vê.  Sempre que surge uma aurora para as novas civilizações ela vem acompanhada de grandes maturações sociais, e essa curva decisiva já se mostra no horizonte, e os homens não podem ser guiados por serpentes vacilantes. Nós parecemos estar perdidos em crises conflitantes, arruinados, desamparados de justiça, porque é esse o desenho que nos mostra o mundo; assim está escrita a história da humanidade e todo o seu passado. Mas apesar desse quadro, vemos uma forma por superfície, mas não é o que ocorre no fundo, onde impera uma ordem invisível aos olhos do homem comum. As forças do imponderável nos sustentam para que continuemos a construir e criar com nossa maturação, a nova estrada. Já disse que a vida do chefe é suprema missão, e Deus não nos deixará órfãos dos bons missionários, que nos tirem do lamaçal de dor e sofrimento que nós mesmos criamos nesses milênios de civilização.
         Mais uma vez chamo a atenção para a Grande Lei, que age no silêncio dos fenômenos, e que faz desencadear forças titânicas para sustentar todas as coisas, e amadurecer tudo com perfeita harmonia para metas já traçadas pelo Alto. A vida dos povos, por isso, não ficará isenta desses equilíbrios profundos, assim mesmo até nas que nem suspeitamos como a vida orgânica e inorgânica, por exemplo, tem de haver equilíbrio; sabemos que estas produzem, no seu momento de maturação evolutiva, a célula ou a molécula adequada; também ocorre isso com os povos, nesse momento decisivo da sua evolução, o seu líder, seu personagem, a sua ‘célula superior’, que se diferenciará pela sua direção e comando, porque essa será a sua natural capacidade. Não se enganem. O líder, nos momentos de exceção é escolhido por seleção biológica, porém no momento decisivo, a Lei intervém diretamente, superando qualquer convenção social dos homens. Alterando resultados inesperados. Podemos com segurança afirmar, que por essas mesmas leis biológicas, os povos recebem os líderes que merecem. Já ouvimos isso em algum lugar! Pois é assim. O povo produz aquilo que lhe é íntimo, que reconhece e se afina; como reclamar, algumas vezes de nossos líderes, se a massa tem o poder ¾ e muitas vezes não sabe ¾, de elegê-lo ou expulsá-lo. Querem um exemplo? Como podemos culpar só Hitler, quando todo o povo alemão em sua maioria concordou com ele?
O líder de uma raça, nem sempre é escolhido só pelo voto, mas pelos choques de forças sociais; não só por consenso dos homens, mas por consenso de forças estranhas contidas nas leis ocultas da vida; essas forças, cujo controle pertencem ao controle Superior de Deus, comumente arrastam, com seus líderes, grandes revoluções, furacões e tempestades sociais, aos quais os homens seguem, sem saber porque. É assim que esses líderes lá ficam no poder da vida coletiva maior, invulnerável, até que pelas mesmas leis biológicas, sua função social se encontre esgotada. Assim, vemos o quanto é absurdo pensarmos que o poder foi escolhido por baixo, pelos níveis biológicos involuídos que nada enxergam à frente, mas sim por uma Lei diretora da Vida, em um nível de evolução mais Alto que pode enxergar o futuro, incompreensível para nós no momento.
         Parece um absurdo minhas palavras ao afirmar que a direção da história e poder dos líderes tem concessão e determinação das forças Superiores. Isto que estamos discutindo aqui não tem só base no bom senso e no raciocínio, tem credibilidade nas escrituras sagradas, que o próprio Cristo já a endossou. Quando Pilatos questiona Jesus sobre o seu poder de libertá-lo ou condená-lo, o Mestre responde categoricamente: “nenhum poder terias sobre mim, se este não te fosse concedido pelos céus”. Abrimos aqui a discussão da impossibilidade desses líderes poderem vir com a permissão Divina, quando muitos deles são motivos de escândalos, guerras assassinas e toda uma sorte de atrocidades contra os povos, sejam o seu povo ou os povos vizinhos. Mas esta resposta do Nazareno não deixa dúvidas. Acontece que esses mesmos líderes não são chamados pelo Altíssimo para cumprirem detestável missão, que os levam muitas vezes a essas calamidades desses chefes inescrupulosos, sanguinários, e sim sua própria liberdade, seu irrefletido arbítrio que determina o seu mau ministério, fugindo aos propósitos determinados pela Lei Maior. Hitler não foi chamado pelo Alto, lhe dando permissão pra governar a Alemanha para assassinar os judeus, nem para dominar o mundo, mas infelizmente ele assim o quis. Sua função de líder se esgotou, foi abandonado pelas forças Superiores igual foi Napoleão, e vimos o que ocorreu.
         Para terminar esse tópico do poder do homem, precisamos saber de que líder necessita a Lei de Deus, e qual prevalecerá na humanidade do Terceiro Milênio. Sem nenhuma utopia, direi que os futuros líderes terão missão exclusiva de educar. Contamos nos dedos os que realizam bem a sua missão, mas o líder do futuro virá do lado espiritual da face Superior. Será aquele que governará por dever, não por direito; por ordem, não por arbítrio; doará, em vez de tomar; não vai pedir sacrifício, mas se sacrificará; não será servido, mas servirá. O Estado do futuro funcionará como verdadeiro organismo; o chefe será o cérebro e os cidadãos as inúmeras células, que mesmo em funções menores e independentes, terão funções coordenadas e harmônicas. E esse gigantesco Estado evoluirá de Estado da força para Estado do povo, convergindo as nações para os objetivos do Alto. Enquanto os povos não amadurecem, seus guias são aqueles que mandam e ordenam, mas como o mundo marcha para frente, os guias do futuro serão aqueles que educarão e ampararão.

Sub capítulo de meu livro Por Que Sofremos e Sentimos Dor?

domingo, 5 de novembro de 2017

                                          A Arquitetura interna do EU


"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo" - Sócrates no Templo de Delfos, grafados os Aforismos dos Sete Sábios.
"Sabes que, se tu vives no Universo, o Universo vive igualmente em ti" - Rubens Romanelli em O Primado do Espírito.

A Teologia Monista, que revela o TUDO-UNO-DEUS no livro A Grande Síntese, veio confirmar as frases frequentes de Cristo sobre esta unicidade, achadas principalmente no Evangelho de João ( Cap. 14, vers. 10). E para confirmar em nossa ciência, este mesmo livro nos mostra várias situações dessa manifestação fenomênica do UNO. O arquétipo do Universo repete seus modelos em todos os níveis, pois que o Macro é o Micro e vice-versa. As formações das Galáxias no Macro às mostram em espiral, assim como nos sistemas planetários, nos átomos, e até seres como o caracol, a concha, desenhando esta exata forma, resultados da Queda do Espírito, todos e tudo possuem essa trajetória típica em todos os movimentos do Cosmo.
Esta unicidade foi revelada até por Carl Sagan, quando afirmou que viemos da poeira cósmica das Estrelas, pois o ferro que nos compõe, tem sua origem lá “fora”; e, aqui “dentro” também, vamos ver Claude Bernard, fisiologista francês, que descobriu que a composição dos líquidos orgânicos que permeiam o meio celular, tem a exata composição da água marinha, atestando-nos que saímos do oceano primitivo, na caminhada evolutiva de nossos corpos. A ciência nos trouxe a confirmação também de que 97% de nossos átomos vieram da poeira cósmica de antigas explosões das Estrelas.
Eis a estrutura da Teologia Monista do TUDO-UNO-DEUS, garantindo a igualdade de todas as unidades no Universo, pois que ao nos retirarmos do Absoluto Divino, trouxemos nos refolhos da alma, como um universo interior, o qual portamos por direito dessa herança Paterna: O Pai está em nós, e nós no Pai.
Uma gota d´água do oceano contém dentro de si o oceano, e todas as gotas juntam formam e expressam o plano maior, que é o mar. Agora ampliamos as duas frases iniciais que abrem este texto, pois nosso Espírito é um micro universo, nós somos o universo, porque o contemos na substância intrínseca de nosso ser. Nós só apreenderemos quando entendermos que a complexa anatomia do nosso Espírito é uma cópia e expressão do mesmo pensamento que concebeu a arquitetura do Cosmo. 
Eis o Princípio de Unidade, pois expressamos uma vontade Unitária, uma consciência única que mantém em uma inquestionável uniformidade de ideias e desejos que se realizam, desde o exato instante que o Big Bang ocorreu. As Unidades se tornaram Coletivas também no Cosmo. Além da Lei da Unidade Coletiva, há a do Dualismo (gravidade é uma Lei Dualística com repulsão-atração), e temos também a Lei Trina. A constituição ternária do Deus Espírito, Pai e Filho ao mesmo tempo, a trazemos também em nós, pois somos um ser espiritual, com uma alma em um arcabouço físico, feito como três pessoas em uma. 
Nosso corpo físico é uma prova da repetição das Unidades Coletivas no Cosmo, pois que arrebanhamos em um único corpo, diversos organismos celulares que nos servem à vida, e que ao mesmo tempo, sustentamos, para a afirmação e expressão da alma, e evolução do Espírito. Assim como o Reino de Deus é um Todo orgânico hierárquico, o Universo por essas observações também o é; e como falo em “repetição”, as nossas unidades coletivas descritas acima se hierarquizam em diversos níveis de diferenciação, permitindo-se a especialização de funções, sem o que não existiríamos como um todo orgânico e indiviso. Esta hierarquia não funciona como no reino dos homens, não há superiores e inferiores para subjugação, mas por função. A célula da pele pode ser inferior à célula nervosa do cérebro, porém, se a célula da pele adoecer como um câncer, compromete o Todo; assim, o mesmo desejo e função da complexa célula nervosa, é a mesma da célula da pele, ou seja, funcionar segundo um indispensável fundamento de ordem, para compormos uma entidade auto organizável: Vida.
Ora, se o Micro repete o Macro, a Gênese Divina é também um Todo-Hierárquico, indiviso, composta de unidades coletivas (espíritos), Criador e Criaturas com funções diferenciadas, formando um Todo-orgânico, onde o cérebro é Deus, e as criaturas, suas células. Um comando não por imposição, mas por obediência cooperativa a uma Lei bem específica: da Vida.
A Queda do Eu, ocorrida por parte das criaturas, tornou divisível o ser que desejou sair da casa Divina, assim, a Arquitetura perfeita do Eu, antes uma unicidade, adulterou-se, dividindo-nos em nosso âmago em dois redutos: o eu interno e o eu externo. O primeiro é o inconsciente profundo, e o segundo, o consciente superficial, provisório. Essa personalidade bipartida tornou-se temporária e falida em sua íntima intenção de derrogar as Leis Divinas. A moderna psicologia já entreviu isto, que somos um composto duplo de consciência e inconsciência, só não conhece ainda as razões dessa estranha realidade, que foi descrita no livro A Grande Síntese e Deus e Universo. Assim como a célula que adoece deva ser isolada para não contaminação, as criaturas que se distanciaram da vibração Divina também o foram, e assim estamos hoje numa outra Arquitetura, seguindo outro arquétipo, a do Universo Evolutivo.
Apesar da igualdade da Unidade do Todo em dois momentos distintos, temos que refazer e unir a individualidade dividida. Antes éramos cidadãos do Sistema Divino, com suas características da Perfeição, do Absoluto, do Ser, livres e ilimitados, filhos da felicidade, atemporal, adimensional, de Vida eterna, para sermos após a cisão, cidadãos do Anti-Sistema Divino, com suas características de Imperfeição, do Relativismo, do Não-Ser, temporal, espacial e dimensional, presos e limitados em uma espiral fechada, que nos remete à transitoriedade e degeneração, para enfrentar a dor e a morte. Caminho de Redenção.
Eis porque, em última análise, a matéria e o espírito, o finito e o infinito, o irreal e o real, acham-se em constante luta em nosso imo, até o dia em que, através do burilar evolutivo, conseguiremos nos desvencilhar das mórbidas pulsões desse Anti-Sistema, reconstruindo a Arquitetura Divina do qual somos verdadeiramente feitos, feixe de potências do Sistema Divino, que se consumará nos fins dos tempos com. a nossa volta como ANJOS.
Há Leis do funcionamento do Todo, e podemos aplicar em nós todos esses mesmos fundamentos. Precisamos estudá-las e conhecê-las mais, nas obras de Ubaldi. Além desses dois livros citados acima, completam Queda e Salvação e O Sistema.

sábado, 28 de maio de 2016

O Corpo de Cristo


O Corpo de Cristo
A celebração ou consagração ao corpo do Senhor vai muito além das manifestações humanas de religião.
Conta-se que os Anjos a serviço de Cristo, durante toda a preparação da descida de Jesus à Terra, já tinham previsto como seria o antes Dele nascer, o durante e o após Ele deixar o corpo. Não poderíamos pensar que fosse diferente, afinal, missão dessa estirpe não foi conduzida em um átimo, ou ao acaso, apenas confiando no poder Divino, porque, qualquer ato de Deus é previamente pensado, como bem sabemos sobre Sua Providência, sempre além do homem e do tempo.
Não foram só os profetas que já anunciavam o Messias há centenas de anos antes, mas o próprio Jesus afirmou que Ele já estava com o Pai, veio Dele, e a Ele retornaria. Afirmou isso quando disse que Davi já O via à direita do Pai, e o chamava de Senhor (Mateus 22: 41-45); e também afirmou que “Antes da Terra ser e Abraão existir, EU SOU (João, 8:58); e o fato mais curioso sobre o domínio que Cristo tinha sobre este magnífico corpo, era Ele o desmaterializar quando bem quisesse, quando fugiu algumas vezes em que Fariseus o cercava para pegá-lo ou jogar-lhe pedras. (João 8:59).

Então, faz muito sentido que Seus Anjos lhe assessorasse neste planejamento cósmico na descida desse grande Ideal: redimir as ovelhas desgarradas. Os fatos se encaixam e vemos que tudo é trabalho na obra Divina. Enquanto a Terra era formada, já estava o Cristo e Seus prepostos preparando uma das “moradas” do Pai.

Sendo assim, concluo o assunto para descrever qual foi este plano e decisão dos Anjos no momento em que Jesus entregou Seu Espírito no madeiro infame, segundo esses três motivos:
1-Aquele corpo era sagrado, elaborado nos “laboratórios” Celestes sob a permissão do Todo Poderoso, afim de que exprimisse toda a beleza e perfeição que a missão exigia pelos séculos, então, ele seria “desintegrado”;
2-Justamente por causa do primeiro motivo, não era sensato deixar o corpo glorioso ter o mesmo destino, iguais a qualquer homem, ou seja, apodrecer e ser devorado por vermes;
3-Impediria que a humanidade fizesse idolatria e disputas por um túmulo e ossos, servindo apenas para a insanidade e vulgaridade humana pelo culto ao externo.

Jesus, então assim permitiu. Deve ser por isso que o santo Sudário tenha deixado marcas impressionantes e até então estranhas, como uma imagem em 3D quando submetido ao exame em laboratórios científicos. Seja de que forma tenha sido, faz sentido essa decisão pelos prepostos do Senhor, e em nada afeta ao mais importante, que é o aspecto interno, espiritual, acima e além do aspecto exterior, para o caso de se havia ou não necessidade de deixar à humanidade provas concretas de Sua presença. Isto ficou muito evidente no episódio final, quando das últimas passagens de Cristo entre os apóstolos, quando ressuscitado, deixou que Tomé o tocasse, para testemunhar a magnífica obra de Deus no mundo, e o advertiu: “Creste porque viste, mas Bem-Aventurado aquele que crer sem ver”...


domingo, 1 de maio de 2016

Surgimento do Egoísmo.


Já tratei da origem do Egocentrismo como primórdios do evento maior, que deu origem ao Universo. Este evento foi a famosa Queda dos Anjos. Sem concluir este processo, não poderemos entender como um ser feito Imagem & Semelhança Divina pôde agir assim. É que justamente no processo inteligente do Egocentrismo, as criaturas não tinham como agir apenas para si, e entendemos ainda mais a afirmação de Jesus sobre o Maior e o Menor. Toda vez que a criatura quis ser mais sem poder, ela ficou menos; toda vez que ela quis ser maior que seu Criador, ela foi menor. O Sistema Divino foi mais perfeito. Toda vez que a criatura fosse obediente as leis a este princípio, querendo ser menos, ela tornava-se mais; toda vez que quisesse servir, seria servida; toda vez que agisse como menor, ela seria maior. É o Egocentrismo Perfeito, o de Deus. Por quê? Porque este Egocentrismo foi criado nas Leis do Amor. O processo inverso no Egocentrismo egoísta, em vez de expandir as criaturas rebeldes, contraiu-as.
Por que surgiu o egoísmo? Resposta simples:
Mau uso do Egocentrismo!
A primeira natureza do Egocentrismo é ser uma afirmação. Já comentei isso, como Deus se afirma no Eu Sou! O Criador nos dando tudo isso, tem-se uma infinidade de eu-sou menores, réplicas perfeitas do Ser que os criou em Imagem e Semelhança. A diferença entre os Espíritos consiste, além de outras coisas que já comentei, em um Egocentrismo que se expande, na individualidade de cada um. Esta é a segunda natureza do Egocentrismo, expansão. Mas eis que a técnica do Sistema Divino existir está na cooperação entre todos. As criaturas então teriam também essa afirmação e esse Ego em equilíbrio de expansão, apenas quando em função das outras criaturas. Genial! A diferença para o egoísmo está aí. No egoísmo não há expansão, mas contração, para dentro, para o interior. É deixar-se de afirmar-se, para negar-se, porque contraria a primeira natureza, afirmar. Aqui se encontra o assombroso segredo de Deus, onde coloquei em aspas, seu “mistério”, assegurando que Sua Criação só teria uma direção, o que gera automaticamente a harmonia da obediência dos intricados e complexos sistemas que Ele determinou no seu momento de Pensar-Criar.
O impulso no Sistema Divino, que denomina-se Organismo, é um só, a Lei. Deus nos facultou um contra-impulso: Obedecer ou desobedecer. Se aparecesse então naquele Sistema um egocentrismo egoísta com vantagem apenas para expansão do eu exclusivo, sem que qualquer outra criatura se beneficiasse, seria um ato subversivo, e anti-orgânico, pois já falei que esse Sistema além de ser um sistema orgânico, é também uma Unidade orgânica. O único impulso contrário que poderia vir à criatura era o exercício da obediência à Lei. A criatura precisa obedecer, caso contrário, ela não pode pertencer ao Organismo do Sistema. E este único impulso é a expansão do eu-sou, e o contra-impulso, a disciplina nas ordens da Lei divina. A indisciplina e desobediência são possibilidades da criatura tanto quando a disciplina e obedecer. Esta é a chave da Liberdade.
Como na Gênese de Moisés, onde há a advertência de que a criatura, representada por Adão e Eva não fosse além das fronteiras fixadas por Deus (não comer o fruto da árvore do conhecimento da vida e da morte - Gênese cap. 2 ver. 16), representa essa questão do Criador querer apenas da criatura, sua obediência. É este contra-impulso que a liberdade e individualidade da criatura precisa definir em seu arbítrio. 
Quando parte das criaturas quiseram ser maiores eis que ficaram menores; quando elas quiseram expandir-se em egoísmo, apenas em benefício de si mesmas, contraíram seu 'eu sou'; em vez de expandir no mundo Divino, entraram em seu próprio mundo, limitado, um círculo fechado. Em uma análise dinâmica, essa contração gera um atrito, e todo atrito leva ao desgaste; esse atrito é o ato rebelde e a revolta que leva a criatura a inverter tudo. Ela inverte Amor em ódio! Em vez de se aproximar do centro, Deus, afasta-se cada vez. Porque escolheu o contra-impulso da desobediência. A liberdade traz responsabilidades em todos os níveis da existência. Por isso Cristo nos advertiu para não sermos mais aquilo que nos afastaria de Deus, pois Ele confirma tudo isso que acabei de escrever: No Reino de Deus, quem quiser ser o Maior, que seja o Menor.
Aqui vemos não só Moisés, representando que a Queda dos Anjos foi a expulsão do Paraíso,  mas também em Isaías no capítulo 14, em que relata o momento em que o Anjo rebelde (aqui representando todos os anjos rebeldes): “Subirei mais alto que tu ô Altíssimo, serei semelhante a ti.” O resultado é nesta passagem que o Anjo rebelde, Lúcifer, caiu do céu como um relâmpago, e foi do alto ao abismo, caindo por terra. 
Representado foi este momento da Queda Angélica nas Escrituras Sagradas, e exemplificadas em diversas formas o ocorrido conosco, no mal uso da liberdade, do Egocentrismo, querendo ser o que a Lei de Deus – tema que estudaremos a seguir – não nos permitia. Isto é tão forte, que a maior dificuldade da humanidade em todos os setores da vida é: Obedecer. Severo reflexo da maior de todas as desobediências. Quando quis a criatura ser mais que seu criador!

Esta parte consta no meu livro parte III PLANO DE DEUS- Morte e Renascimento.

sábado, 23 de abril de 2016

Sistema Divinos - o Alfa e o Ômega.



Sistemas Divinos. Há dois. O sistema da Trindade refere-se aos famosos três momentos da Divindade: Espírito, Pai, Filho. E o sistema Dualidade. Nos explica bem Pietro Ubaldi no capítulo II do livro O Sistema, para cada situação há o seu contrário: “Assim, diante do absoluto, nos encontramos no relativo; diante do imutável, no contínuo transformar-se; diante da perfeição, numa condição de imperfeição sempre em movimento para atingir a perfeição; diante da unidade orgânica do Todo, encontramo-nos fragmentados e fechados em nosso individual egocentrismo de egoístas; diante da liberdade do espírito, encontramo-nos prisioneiros no cárcere da matéria e de seu determinismo; diante da onisciência de Deus, estamos imersos em trevas da ignorância; diante do bem, da felicidade, da vida, somos presas do mal, da dor e da morte.”

No fim, tudo um Sistema Único. Como Jesus afirmava, vai do Alfa ao Ômega. Como representa nesta imagem que aqui coloquei: Princípio e Finalidade.



Vou destrinchar esses dois momentos para entendermos melhor. Nesta Trindade, o momento α-alfa é o instante inicial, o instante “zero” e infinito, que como Deus não pode ser definido, pois deixaria de ser infinito, e que sabemos ser Espírito; no intermediário, o processo Criador, que sabemos ser Pai; o mesmo se completa no momento Ω-ômega, denominado Filho. Entretanto, mesmo Deus tendo adotado este modelo de Ser como Trino, é uma Unidade que Ubaldi chama de Tudo-Uno-Deus. O momento αlfa é Deus como puro pensamento, onde aqui Ele já concebe e formula as Leis e princípios que tudo irá reger, uma imagem mental de contemplação da obra futura, ou seja, momento antes de Criar. A transformação para o segundo momento é o da Ação, quando a concepção no momento α-alfa de puro Espírito e pensamento se tornam Vontade, e são aplicados aqueles planos concebidos em α-alfa, os princípios das Leis. É este momento da Ação o segundo momento como Deus-Pai, que agindo já encaminha realização da Criação. Agora o ápice da Trindade, chegando o terceiro momento de onde da ideia, por meio da ação, a obra se realiza no Ω-ômega, do Deus-Filho. Chega-se a conhecida frase que Deus é o alfa e ômega de Tudo que existe, e agora compreendemos essa ideia abstrata de Princípio e fim. 

Segue um movimento sempre Trino: A Ideia, a Ação e a Criação. O caminho do puro pensamento Divino obedeceu a uma elaboração da ideia originária, de acordo com os planos pré-concebidos e os princípios da Lei, até o momento que ocorre a gênese da criatura, a Criação propriamente dita. São três momentos distintos, porém, a Substância Divina continua a mesma, tudo dentro de uma Unidade. Podemos fazer uma analogia com a água, embora tenha três momentos (líquido, sólido e gasoso), continua água. Um reflexo perfeito de seu Criador. O Universo é: Matéria, Energia e Espírito, mas continua uma unidade, Universo.
Podemos resumir assim esse princípio da Trindade do alfa ao ômega, lembrando a explanação no livro Deus e Universo (capítulo XIII), onde Pietro ressalta o que escreve o apóstolo João em seu evangelho no capítulo 1-31: O Espírito é o Puro Pensamento, a Concepção; O Pai é a Ação, o Verbo, a Vontade; O Filho é o ser criado, a gênese da Criação.

Ao mesmo tempo, nesta Trindade permanece o Tudo-Uno de Deus. Agora vamos nos ater ao principal momento da Trindade, no momento ômega do Filho, da criação. Essas comparações e exemplos tornam um conceito abstrato de um momento Super-Conceptual, numa coisa simplória, embora não tenha sido assim tão simples, de tão complexo o que envolve Deus e a criação. Eu que segui este exemplo que se compara mais ou menos em explicar que a sombra só existe por causa da luz. Ou seja, vou usar mais uma redução e distorção até ao nosso nível humano de entendimento, para que possamos compreender.
Nesta visão sintética, nem divisamos ainda o Universo. Chegarei ainda nele. Observamos que agora a Trindade tão misteriosa ficou mais clara, e podemos dizer que tomou um “corpo”, e este em sua maturação transformou-se no final, como o exemplo da água, e continuou sendo Deus. O que ocorreu nesta transformação do terceiro momento da Trindade? Deus multiplicou-se, como se dividindo num número infinito de seres e, no entanto, permaneceu Uno, porque esses seres são de Sua mesma essência, mesma Substância. Esta foi a verdadeira Criação, a primeira e a única. Dentro de três momentos distintos, porém a unidade do Criador permaneceu a mesma, intacta e idêntica, embora multiplicando-se em e por Suas criaturas. Imagem e Semelhança Dele mesmo, refletido e repetido nos semi-deuses.

Não houve divisão, mas multiplicação. Não poderia ser diferente, como já comentamos alhures. Mas aqui fica mais claro como Deus não tira nada de fora para criar, a não ser de Si mesmo, de Sua Substância. Eis a parte final de João: “E nada do que tenha sido feito, foi feito sem Ele”. Essa Trindade ganha o contorno da mais lógica explicação que poderia nos deixar perto de entender Deus como o alfa e ômega. Tão abstratos eram esses conceitos, agora são palpáveis e concretos. Basta lembrarmos do exemplo da água! Estudem e leiam este capítulo do livro Deus & Universo e perceberão que espetáculo maravilhoso percebeu João.

1- “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele”.


domingo, 4 de outubro de 2015

CRIACIONISMO E EVOLUCIONISMO = MONISMO


A teoria unificada de Pietro Ubaldi trouxe nova luz à questão. Quando se toca nestes tópicos, evolução e criação, para muitos aparecem apenas como polêmica, antagonismo, quando na verdade eu vejo fusão. Por isso que crio essa frase ‘equacionista’ em que criação e evolução são iguais a Monismo, que é justamente isso, a união das duas doutrinas como verdade de duas posições da Divindade. Ambas, separadas, não conseguem prosseguir por faltar elementos de sustentação, se isoladas.

Afirmo isso usando frases destes dois pensadores Bohr e Heráclito o que acabo de descrever: “A verdade é somente aquela que admite também o seu oposto como parte da mesma realidade que expressa”- Niels Bohr. E com Heráclito aferimos: “Para se firmar uma hipótese como verdadeira, torna-se indispensável associar a ela todas as proposições que lhes são contrárias.” As duas visões filosóficas opostas no pensamento humano, tornam-se uma única verdade, mesmo aparentemente contrárias, porém são genuínas expressões de uma só realidade: O Todo Divino. Se complementam.

Vamos analisar o que quis dizer como duas posições da Divindade. O Criacionismo é verdadeiro se o remetermos à primeira Gênese, onde somente um ato Superior Divino pode criar a partir do ‘nada’. Assim, Deus só pôde tirar a criação de si mesmo, de sua própria Substância, não podendo ser possível nada a agregar ou a reduzir, porque deixaria de ser Imutável, o que na visão das diversas doutrinas religiosas da Terra, Deus o É! Já a Evolução é a transformação do ser criado, é força construtora cuja função é trabalhar e desenvolver a Substância concedida à criação em suas multifárias manifestações fenomênicas, adquiridas e contraídas no momento do Big-Bang. Dois momentos! Um como Causa primária, outra como Causa secundária.

Ficam estabelecidos um “antes” e um “depois”, justificando esses dois momentos da Divindade. Começamos a juntar à construção da teoria unificada pelo Monismo, os elementos que compõe essa “massa” na edificação da obra que em síntese foi uma só, mas posteriormente, apenas desmembrada, nada sendo acrescido, nada sendo reduzido. Esta analogia nos fornecerá base para torná-la se não a absoluta verdade – que aqui no Relativo ainda não é possível -, pelo menos a mais lógica. Então, o Todo Divino tem dois momentos, e ambos têm de estar posicionados conforme esta ordem “antes” e “depois".  O “antes” no que conhecemos como Reino de Deus, no Absoluto; o “depois” no Reino da criatura, no Relativo. No “antes”, sem tempo, sem espaço, onde Criador e Criatura, embora de mesmas Substâncias, são distintos.

A Criatura é parte; o Criador é Todo; a Criatura é mutável dentro dos limites já pré-estabelecidos no ato Criador; o mesmo não ocorre com o Criador. Sem essa distinção não seria estabelecido nem hierarquia nem ordem, nem Pai, nem Filho. O que isso quer dizer? Que nenhum Criador, ao nível que concebemos Deus como Todo-Poderoso, Inteligência Suprema, conceberia uma criação capaz de desordenar a obra, e nem destruir quem o Gerou. Assim é o Absoluto. Regra básica e principal no Todo Divino. Ora, isto é a parte Criacionista, porém, o segundo momento com Evolucionismo, fica a pergunta, como depois veio surgir algo como o Universo, onde o ser criado teria que se estabelecer no conjunto, moldado por forças evolutivas, desde o caos inicial? É aqui que entra o Relativo. Vamos explicar esta causa secundária.

Algo parece entranho neste elaborado e intrigante movimentos da Divindade no “antes” e no “depois”. Isto nos leva aos seguintes questionamentos: Por que houve esta separação e desmembramento? E por que houve a necessidade de surgir forças descomunais, amparadas por leis inteligentíssimas, tudo para levar e conduzir um Universo surgido na desordem para a ordem? Ora, Deus é um Arquiteto Perfeito, e somente poderia haver neste aspecto uma só criação, uma perfeita, sem necessidade alguma de evolução. Mas não é o que vemos como seres perceptivos neste Universo Relativo, por isso falei no início que, separadas, ambas as teorias não se sustentam, nem dão uma explicação lógica. Ora, é patente no meio científico que o Universo se expande, e tudo evolui em ciclos periódicos, e não é só com seres vivos, o Orbe também evolui. Vejam a Terra há 4 bilhões, um caos infernal que se estabilizou, evoluiu para abrigar formas as mais variadas durante milênios, até que pudesse o homem, com gênio, perceber e tentar explicar sua existência. Continuando esta analogia, eu vejo Deus como um Arquiteto; e quando vemos um arquiteto elaborar um projeto, o seu maior desejo é lhe proporcionar perfeição à obra. Ora, como o arquiteto homem pode atribuir perfeição ao seu projeto e Deus não fazer o mesmo como arquiteto Celeste?

Pietro Ubaldi em sua extensa obra, explica este “motivo” para surgir um “depois”, o mundo Relativo que hoje conhecemos como Universo: A Queda de parte dos Anjos. Parte, não todo. Dessa forma, estamos diante de explicar os dois momentos da Divindade, duas ações integrantes da mesma Criação. Ou seja, tudo foi criado por Deus, mas somente a parte dos seres que desmoronou em queda vibracional, cujo momento exato deu-se no Big-Bang, é que participam do Relativo, do movimento evolucionista. Eis a cosmologia Monista, explicando perfeitamente que a criação primária no “antes” por estar no Absoluto, só poderia ser uma criação puramente espiritual, perfeita. Tudo isso comprova a pergunta que fiz alhures, que um Criador com todos os atributos da Perfeição como Todo-Poderoso, Onisciente e Onipresente, não concluiria a Criação sem uma previsibilidade que uma inteligência Suprema pode conceber. Ora, Deus estava estabelecendo uma criação espiritual, de anjos, perfeitos como Ele, de Sua própria Substância, e concedendo-nos o mais poderoso dos atributos às criaturas no puro e verdadeiro Amor: Livre-arbítrio. Não criou robôs autômatos, mas seres com Liberdade. Esta liberdade é o que faz a criatura poder se mutável, livre para atuar na Criação, livre para escolher, dentro de limites e leis aos anjos oferecidas, com a opção de seguir com Deus ou não, obedecer às Suas leis ou não. O limite só podia ser um: Obedecer às leis do Todo. O Absoluto Reino de Deus só poderia surgir como um mundo orgânico e hierárquico, porque senão qual a graça de criar seres que não fossem distintos, diferenciados de seu genitor? Se não fosse assim, para que criar? Bastava Deus contemplar egoisticamente a si mesmo. Isto é uma aproximação do que é o Todo. Não há aquém de Deus! Não há Além de Deus! É difícil pra nossa pequenina  e acanhada mente entender este concebível, mas é tão claro, tão óbvio, que admitir aquém ou além Deus, é admitir que há outros mundos, outros deuses, remontando até o infinito, ficaríamos loucos pensando: Quem criou quem? Há limites ainda desconhecidos, e por enquanto a única lógica compreensível, que não deixa dúvidas é esta: Não há aquém nem além Deus, pois Deus Tudo É!

Parecia-nos complicado filosofar sobre isto apenas conhecendo a parte Criacionista nos modelos das religiões tradicionais, porém, o Espiritismo Cristão trouxe explicação à realidade Evolucionista. O Monismo de Ubaldi é que reúne e arremata tudo numa teoria só. Assim, sabendo da possibilidade do ser criado com Livre-Arbítrio poder obedecer ou desobedecer, a Onisciência Divina já tinha tudo preparado para reagir a qualquer ação rebelde da criatura, os recém criados “mini Deuses”: impossibilidade de existir fora do mundo Divino. O Cosmo é também parte do Todo, embora separado distintamente por ter sido modificado pela criatura. Entra aqui sua parte mutável.  Respondo à pergunta por que houve uma separação de momentos como “antes e depois”, e por que um Universo necessitado da evolução, pois cabe à criatura que se desmembrou modificando seu Eu, reunificar-se e restabelecer-se como na origem: Perfeito! (Sede perfeitos, como vosso Pai Celestial O É”- Jesus.)

Resumindo. Na Criação primária, Deus concedeu às criaturas liberdade, e esta liberdade poderia levar à desordem, modificar seu estado divino, levar o ser a involuir de seu estado original, comungando da perfeição, porém, estava estabelecida para a criatura que tentou evadir-se do mundo Divino uma recondução: Evoluir. Surgiu no “depois” após o Big-Bang outro mundo, distinto do primeiro, cuja função é redimir. Assim, vejam que coisa interessante, a Evolução não é um estado de “Ida”, mas de “Retorno”, provado até pela Equação de Einstein. O Universo é assim uma criação secundária, cuja vontade não deve ser imputada a Deus, mas como vimos, às criaturas. Livre escolha!


Entendemos que ao originar-se o movimento voluntário involutivo, a reação das leis do mundo Absoluto remeteu ao movimento evolutivo, sua contraparte com trajetória distinta de reconstrução e retorno ao universo original perfeito: Queda no Relativo, Subida ao Absoluto.

A Criação não pode subjugar-se à criatura, como seria lógico, por isso pode modificar, nunca destruir. O Universo com o Monismo mostra que Deus veio junto com a criatura para salvar-lhe, restaurar-lhe a condição livremente violada. “A sementeira e livre, porém a colheita é obrigatória” – Jesus.

Compreendemos assim que o Evolucionismo é uma continuidade que veio após o Criacionismo. Compreendemos também o porquê do Cosmo ser um constante “vir-a-ser”, onde nada é mais necessário ser criado, mas transformado. Aqui com a afirmação que nada mais é criado, parece desmoronar tudo que está sendo explicado e confronta o que logo veremos sobre as duas maiores corrente filosóficas no catolicismo e no espiritismo, defensoras cada uma respectivamente de Criacionismo e Evolucionismo. Mas não há nada de absurdo falar disso, que no Universo, nada é criado, porque a Criação secundária que originou o Cosmo não é Causa, mas consequência, efeito. Se fosse Causa, teríamos que admitir Deus sendo perfeito criar a imperfeição, ou algo ainda a se aperfeiçoar. Até poderia haver a possibilidade, porém, neste Universo, a evolução não se dá sem luta, sem sofrimento, sem dor, nem sem morte! Constantemente, estes são seus estados, seus ciclos, impostos a todos os seres que o compõe. Dizer que Deus é criador desses estados é o mesmo que dizer que Ele não existe. Não faz sentido. Já afirmei que não há lógica, um arquiteto perfeito gerar uma obra imperfeita ou que precise se aperfeiçoar. E a ciência, através da frase de Lavoisier confirma que a dinâmica do Universo é transformação constante físico-química: “Na natureza nada se cria, tudo se transforma”. Tudo é parte de um grande ciclo: vinda-ida. Uma respiração que no livro A Grande Síntese é chamada: A respiração do Todo. Houve involução, gerou a evolução; houve desmoronamento do ser, agora há reconstrução; houve fuga, separação, agora há retorno, junção da criatura ao criador. São ciclos. A natureza comprova isso, que tudo são ciclos que se completam. Vejam o primeiro movimento do Cosmo: Repulsão-Atração = gravidade. Tudo é feito de contrações e expansões. O Cosmo começou contraído, depois expandiu-se; evaporação e condensação das águas; mortes e renascimentos na natureza; partícula positiva e negativa; ciclos das marés; ciclos do clima; anti-matéria, matéria; enfim, tudo feito de etapas involutivas e evolutivas que se equilibram ir e vir. O que mais nos atrai neste assunto é que há nítido predomínio das últimas, ou seja, a força Divina impera sempre no segundo movimento: reconstrução, evolução. Por isso que a evolução vence no ciclo, pois impera que a desordem violada seja restabelecida. Sem isso é admitir que Deus falhou!

Criacionismo e Evolucionismo, portanto, se abraçam como duas fases de um mesmo processo divino de gêneses e transformação do Todo. A evolução como transformismo necessita assim de uma “causa” primária, anterior, fora de seu domínio para se completar. Quando Moisés nos trouxe a gênese como criação estática e já pronta, só podemos interpretá-la literalmente se ela existiu na Criação original, primária. Somente após a Queda de parte dos seres, que o movimento evolutivo surgiu como força reativa imperante, com o objetivo de submeter a este Universo provisório, a recondução de todos ao estado de origem. A lógica nos diz que a criação primária, original, perfeita, no Absoluto, não tem fim, porque somente lá temos noção de eternidade. O mesmo não se dá ao Universo, que é secundário, imperfeito, no Relativo do espaço-tempo, e terá um fim quando tudo voltar a ser um só mundo. Por que posso afirmar isto? Ora, Deus é eterno. Assim, o Espírito, Sua criação feita no Absoluto também é. Como afirmei alhures: nada pode ser acrescido ou reduzido a Deus. Por isso que o Universo é secundário, uma parte do processo transformista apenas para salvar àqueles que se apartaram do seio Divino, modificando livremente seu status de anjo. A Queda dos anjos não é espacial, mas vibracional, mudança de estado, perda de atributos do Reino de Deus, cuja função evolutiva é recuperar esse status. Esta é a verdadeira Redenção a que se referiu Cristo. Por isso o Universo é feito apenas de transformação, não mais criação. A criação foi uma só. Vemos aqui Moisés e Kardec com duas filosofias importantes, e que só unidas podem dar sentido à vida.

Vamos analisar frente às duas maiores correntes filosóficas do mundo religioso no planeta Terra, ambas Cristãs, que mais defendem as duas posições: Criacionista e Evolucionista. Se admitirmos uma criação unicamente através da Evolução, como a criação progressiva, é pressupor que Deus cria de modo incompleto, imperfeito. Como vimos, não condiz com a fonte, a base ingênita que a tudo criou: Deus. Por outro lado, conceber somente o Criacionismo nos leva a negar a veracidade já comprovada do movimento evolutivo, inexoravelmente patente em nossa realidade Relativa, cuja existência do movimento progressista de tudo se verifica através dos fatos fenomênicos, que a ciência vem nos apresentando. Aqui reforço que a lógica do pensamento Monista com a qual comecei este texto, nos induz à perfeita fusão das duas concepções, como partes irrevogáveis de uma mesma verdade. 

Ubaldi, inspiradíssimo por Sua Voz, apresentando-nos o Monismo, permite-nos dessa maneira adotar as duas doutrinas filosófico-religiosas comodamente, sem conflitos, levando-nos a admitir como verdade tanto o Espiritismo, que apregoa a progressão das almas, quanto a tradição Católica Cristã, que defende um ato criativo único. Representam apenas ângulos distintos segundo os quais o pensamento humano divisou uma mesma realidade. Portanto, ambas as concepções estão corretas. A Gênese Mosaica e os mitos cosmogônicos nos relataram esboços da gênese original, e o evolucionismo nos explicou a técnica de reconstrução da parte da criação que violou as leis do mundo Absoluto, sendo conduzidas automaticamente às leis do Relativo. Leis distintas. No “antes” funcionam a favor dos que obedeceram; no “depois”, funcionam a favor dos que desobedeceram. Enfim, explicam porque Deus é imutável, porque suas leis, mesmo distintas nos dois mundos Absoluto e Relativo, são imutáveis. Já estavam estas leis prontas no ato Criador, pertencendo o controle e a aplicação a quem as criou: Deus. Porém, uma coisa importante, que as Leis Divinas sempre são favoráveis às criaturas. Tanto no Absoluto quanto no Relativo.

Vemos assim que em Síntese, chegamos à estupenda conclusão de que o Catolicismo e o Espiritismo se complementam e se casam harmonicamente, pois cada um desses corpos teológicos focalizou e percebeu um aspecto do movimento do Todo, cuja realidade tudo abrange. O Evolucionismo não pode seguir abandonado de sua contraparte porque necessita do Criacionismo para explicar cada um sua própria origem. Já o Criacionismo carece do Evolucionismo para compreender como Deus continua atuando na parte da criação corrompida e necessitada da redenção, a fim de reconduzi-la ao estado original de perfeição com a qual foi criada. Com isso desfaz-se assim a ferrenha intolerância que tanto rivalizou essas duas crenças vigentes ao longo do último século, apaziguando-se qualquer tentativa de se impor uma em detrimento da outra. Juntas chegam mais perto da verdade e da realidade.

Pietro Ubaldi veio nos trazer de forma mais didática a existência de dois planos, dois mundos, o Absoluto, dos anjos e de Deus, e o Relativo, das criaturas que perderam temporariamente a angelitude. Mundos que frequentemente ele chama respectivamente de S (Sistema) e AS (Anti-Sistema); analogamente correspondem aos dois planos de criação do sistema religioso, Céu e Inferno. Todas as terminologias apontam para a existência de duas realidades em oposição no campo divino. Todos, Ubaldi, Espiritismo e Catolicismo apregoam a necessidade de se atingir a morada divina do S ou do Céu com os valores que se conquistam com a bondade, o amor e o bem; a mesma coisa se dá aos que atingem a morada do inferno do AS, quando praticam a maldade e o ódio. Uma coisa é certa! Se há aqui no reino Relativo do AS, o inferno da criatura, a necessidade da Redenção para as criaturas do Cosmo, é que houve um equívoco como causa, um erro anterior a tudo, que remonta às origens. A grande diferença entre o Catolicismo e o Espiritismo nesta questão, é que a primeira acredita que se chega facilmente ao reino dos Céus, o Absoluto mundo do S, apenas com a remissão de nossas almas após a morte, e a segunda que esta redenção só se atinge por evolução, sendo o caminho longo ou curto, dependendo das atitudes e decisões que toma a criatura nos milênios que lhe faculta evoluir através dos ciclos reencarnatórios. A Teologia Monista une as duas doutrinas, tese e antítese, que se completam justamente com uma das últimas frases de Cristo ao falar de Redenção da humanidade: “Eu venci o mundo (o Universo), que cada um tome a sua cruz e o vença também”.

Finalizei com a descrição dos ideais dessas duas poderosas doutrinas fincadas nos corações humanos, para compreendermos que a visão teológica Católica cristã se ateve ao entendimento do que se passou “antes” do princípio. A interpretação e visão Espírita se fixou no que ocorreu “depois” do princípio. A cosmossíntese Monista é a exata soma das duas escolas religiosas, até então aparentemente antagônicas. Todas ficam perfeitamente enquadradas para explicar o Todo Divino, os dois momentos que ficaram no passado, cujo futuro é o retorno às origens, à eternidade, quando o Efeito cessa na Causa.

domingo, 9 de agosto de 2015

Avanços nas notícias da ciência sobre Reencarnação e física Quântica


Este arquivo (ver link abaixo) demonstra avanços no pensamento da humanidade sobre o tema em nível científico. Usando o conceito de Pietro Ubaldi , o “Vir-a-Ser”, já é uma força positiva sobre este tema milenar: Reencarnação.
Filosofias e religiões podem digladiar sobre o assunto, cada uma expondo seu ponto de vista, porém, no que concerne à ciência, há muitos séculos isto vem sendo uma comprovação atrás da outra, conceituando de que o termo “Repetir”, seja a tônica da dinâmica do Universo. Repetição de ciclos e contínuos “vir-a-ser” nada mais são do que a evidência das palavras de Lavoisier que na “Natureza nada se perde, tudo se transforma”, é uma realidade Quântica. O Espírito vem-a-ser Energia, que vem-a-ser Matéria, e Matéria que vem-a-ser Energia, e por fim, vem-a-ser Espírito. Um ciclo.

Se formos mais a fundo, estudando o estupendo livro do autor citado, A Grande Síntese (1932), vemos que esta tônica de repetir e de vir-a-ser vai além da vida humana, e também aquém, ocorrendo no nível químico, das partículas, em concordância da atual física Quântica. Basta ler os capítulos deste livro mencionado: A Evolução da Matéria por individualidades Químicas (do Hidrogênio às Nebulosas), e mais a frente, A Estequiogêneses e as Espécies Químicas Desconhecidas, e concluindo com, Síntese Cíclica – Lei das Unidades Coletivas e Lei dos Ciclos Múltiplos, concluem aos homens de ciência, que tudo isso nada mais são ao que a humanidade já conhece há milênios pelos gênios da antiguidade, captadas por intuição em suas ideias de que a Reencarnação não é propriedade de uma filosofia ou de uma religião, mas propriedade do mecanismo da vida neste Cosmo. É sequencial, contínuo, inevitável. Cito como escreveu Krishina no Bhagavad-Gita: "A morte é certa para os que nascem. O renascimento é certo para os que morrem. Não deveis afligir-vos pelo que é inevitável".

Inevitável porque é Lei. Nestes três capítulos que citei há alguma delas, leis que complementam a lacuna da ciência tradicional.
Não indo muito longe nem em pormenores dos capítulos destacados, encontramos estas evidências da Vida repetir o fenômeno em todos os princípios desde as origens, na Biologia. Tudo dentro de uma Lei só, partindo de um ponto comum. Pietro Ubaldi chama de modo particular, indo além do Politeísmo e completando o Monoteísmo, encontrando a expressão máxima da verdadeira participação Divina no Todo: Monismo.
A biologia também confirma este “sistema”. É o que diz a lei da biogenética, onde cada ser vivo, parte de um ponto comum, uma mesma célula-ovo germinativa, e se desenvolve no estágio em que se encontra na escalada da Evolução. Basta ver que um embrião humano é indistinguível de um peixe, um réptil, uma ave, ou mesmo outro mamífero, em seus estágios iniciais. Assim, cada ser vivo no reino biológico começa sua vida (encarnação) no mesmo ponto. E cada ser “repte” seu progresso anterior por retornos periódicos, trabalhando com volta às origens para refazer-se sempre, porém cada vez mais rápido, e mais além. Se a biologia procede assim, como ser diferente no nível psíquico com a alma?  Ora, como o patinho começaria a nadar sem este princípio da “repetição”? Diriam que é apenas fisiológico ou dos instintos; claro, também, mas é um esquema pronto que se não tivesse sido feito no passado da espécie, não saberíamos, por exemplo, que temos de mamar sem nunca ter feito. A Ontogênese repete a filogêneses, como então constatam os estudos da embriologia, demonstrando todo o desenvolvimento embrionário é a recapitulação de um processo evolutivo geral e “único” para todos os seres. Assim, todos os seres partem do mais primitivo dos seres até o estágio em que se encontram. Ora, isso jamais será possível sem que tivesse cada qual já participado desse momento, arquivando-o como um conhecimento inato anterior, instintivo. O homem refaz sua trajetória biológica exatamente porque percorreu inúmeras vezes no passado, trazendo-o ainda vivo e automatizado em nossa memória ontológica.

A herança não é só um processo mecânico, mnemônico dos seres que nos antecederam na evolução, é simplesmente a vivência do que a ciência hoje pode chamar de “consciência”, mas que sabemos se tratar da alma, do espírito. A prova é tanta, que quando esta “consciência” se vai e abandona o invólucro material biológico, nada mais temos que uma massa de carne inerte e entregue às novas leis do reciclo à natureza, dos elementos que constituíam aquele corpo. Não é a toa que nossa evolução humana rejeita o aborto e o torna crime, porque não é a rejeição ou eliminação de um estofo celular, sem alma, sem o espírito que o anima, é antes de tudo um ser vivente da Criação. Por sabermos que há uma consciência vindo habitar o corpo formado na concepção, é que a humanidade intuiu, avançando em seus conceitos, que a vida vai além. Para ciência, fica evidente que todos os seres vivos trazem uma “consciência energética” para animar o ser, seja planta, animal ou homem, e, seja enfim, cada nome que conhecemos: alma, espírito, etc.
Ora, uma nova vida humana chegar ao corpo jamais seria possível sem que já tivesse essa “consciência”, participado desse processo, arquivando-o como um conhecimento instintivo. A partir da concepção, a biologia toma conta do desenvolvimento desse instrumento (corpo), que aquela consciência vem habitar.
Onde há lógica nessas afirmações, envolvendo o assunto Reencarnação, repetição, seja da consciência ‘extrafísica’, com a biologia, seja com as demais afirmações que tudo é um esquema só, apenas um arquétipo que a vida segue pra se manifestar?
Ora, vejam que a ciência viu o mesmo princípio de origem do Cosmo, partindo de um único centro germinativo que explodiu ou expandiu, o chamado átomo primordial, para tudo gerar, e a Estequiogêneses que mencionei alhures se desenvolve de uma “célula” física comum, o Hidrogênio, base para a formação subsequente de todos os 94 elementos químicos naturais. Toda a evolução do Cosmo partiu daí. Assim mesmo que a ontogenia se inicia nos primórdios da vida, pois trazemos como registro arquetípico toda a evolução planetária, exatamente porque participamos dessa mesma história há 13,8 bilhões de anos. É por isso que o princípio é o mesmo, seja na formação de uma nebulosa, futura galáxia, e com seus sistemas solares. O Macro “repete” o micro e vice-versa. Em todos os pontos do Universo, a vida não segue padrões diferentes, mas apenas um arquétipo primordial. Há diversidade, o que é diferente. A singularidade inicial, o epicentro foi o Big Bang. O epicentro da galáxia é um ponto luminoso de nuvens de gases em ritmo circular com forças centrípetas e centrífugas, da nebulosa. O epicentro de um sistema solar procede deu uma nebulosa desgarrada do centro da galáxia, cujo centro será o “sol” daquele sistema, a célula-ovo dos planetas que se desagarram pela força centrífuga ser maior, porém, com a monstruosa gravidade, faz com tudo tenha sempre um centro, e os elementos, que gravitam em torno desse centro. O Epicentro dos elétrons é o átomo. Enfim, o epicentro dos seres na biologia é a célula-ovo. E o epicentro de toda a criação é seu Criador, onde toda a vida gravita. Esta é toda lógica do sistema e seus ciclos.

Resumindo esta questão da repetição no “vir-a-ser” , citando apenas o reino animal, todos seres do planeta estão submetidos a uma lei única, a lei biogenética à qual já me referi, lei que nos diz que a embriogênese do ser, a ontogênese, sempre repete a filogênese, como roteiro de desenvolvimento das espécies. Segundo esse fundamento biológico, a partir de um ponto comum, todos os seres vivos repetem ao nascer, o movimento evolutivo anteriormente já efetuado, porém com velocidades de desenvolvimentos distintos, detendo-se no platô em que até então se encontram. Assim o processo biológico de vida do inseto, difere do mamífero apenas na questão velocidade e claro, tempo, porém enunciando o axioma que aprendi no livro A Grande Síntese, que em obediência à Lei de Unidade, a evolução “repete” um modelo único para todos.
O que tudo isso tem a ver com o tema Reencarnação? Tudo! Afinal, reencarnar é repetir. Isto serve apenas para que vejamos a vida no Cosmo como uma só para todos claro, no princípio de que a Vida quer que tudo evolua, que nada se perca e se transforme cada vez mais em algo superior. E Essa Lei de Unidade promove isto. Foi por isso que comentei sobre biologia e astrofísica, para vermos que não é à toa esta questão da Unidade, pois é através dela que podemos admitir cientificamente que esta é a mecânica dinâmica do Universo: Repetir e Vir-a-ser.

Feliz Dia dos Pais. Leiam o link: