segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O Poder dos Homens - O Líder: Do que se espera dos novos líderes na condução dos homens?



         Estamos diante de novas visões do mundo social, onde razão e fé entram em choque. Esse choque, antes de mais nada, é benéfico. Explorar os temas do egoísmo, guerra, economia, desigualdades sociais, tem exclusiva intenção de formar uma nova base biológica, onde os meios científicos, mais o sofrimento, a dor, e a nova consciência que surge, tragam a imperante necessidade de organizar o nosso mundo em harmonia com as leis universais. Embora todas essas ideias sejam de natureza utópica, elas satisfazem ao raciocínio, e pouco a pouco elas vão se estabelecendo no pensamento filosófico do homem, de sorte que, veremos no futuro, o quanto tudo isso tinha razão de ser exposto aqui dessa forma, como Pietro Ubaldi nos apresentou no livro A Grande Síntese. Perguntaremos um dia como o homem foi tão idiota, ao rejeitar os princípios do Evangelho de Cristo, tão irrealizáveis para nós agora, mas que será lei biológica do futuro. Neste ponto, a condução dos líderes em todos os setores tem total importância na realização dessas transformações biológicas, lentas, porém inevitáveis e irresistíveis, porque têm a direção do poder mais Alto.
         Começamos a ter noção do papel desses líderes, de como o mundo tem sido governado desde os seus primórdios, como é hoje e como deverá ser no futuro. Vemos, neste sentido, uma evolução do Estado, que irei comentar adiante. O governo dos organismos sociais começou com o monopólio da força, da brutalidade, para que o ser obedecesse. Agora, leis já surgiram para regular nossos atos como cidadãos. Direi mais, que o mundo é governado antes por aquela Lei Maior, da qual o homem é o seu principal instrumento, sem sequer suspeitar. A responsabilidade então sobre os dirigentes é pesadíssima, principalmente se eles não executarem aquilo a que foram chamados.
         A sociedade humana, como organismo, encontra a sua base nos fenômenos biológicos; os fenômenos sociais assim, também são esses fenômenos intimamente interligados. Todas as sociedades devem ter equilíbrios exatos, seja a humana, seja a animal. Esse equilíbrio se alcançará de tanto pesquisar as causas, e, encontrando estas, que são complexas e ainda nos escapam aos sentidos, encontraremos assim o pensamento diretor de Deus. É a Este líder que a vida segue, sem suspeitar! Quando dominarmos as causas dos fenômenos biológicos, sociais e espirituais, compreenderemos as leis, e assim saberemos a exata posição da progressão desses fenômenos, para tornar fácil “adivinhar”, em qualquer campo, para estabelecer o futuro da humanidade.
         A relação entre causa e efeito nos faz ver um determinismo histórico inviolável. Voltamos a falar de determinismo mais uma vez. Ele se aplica no particular e veremos que se aplica também no geral. Se há um destino de um homem, há o destino de um povo. Aquele cálculo de responsabilidades a que me referi atinge o equilíbrio na liberdade coletiva. Não enxergamos nada disso, porque o nosso mundo sempre viu as coisas pelo lado material, físico e isolado; nosso limite é a matéria, portanto não podemos ainda ir mais além. O fenômeno histórico é para o homem fenômeno da causalidade, onde quem dirige esse destino coletivo é o próprio homem. Engano absurdo, porque não é só dele, na qual é apenas instrumento, mas a direção é de ordem Superior. É como numa escola, onde os alunos, dentro das leis internas atuam com uma certa liberdade; o seu limite é determinado por um diretor, que pode expulsá-lo do sistema escolar desde que este não siga as regras, sem nem mesmo vê-lo e nem chegar a conhecê-lo; mas enquanto isso, para este líder, o diretor da escola, tudo o que faz para o seu progresso entre as turmas de classe, tem um destino certo, que já está pré-determinado (se formar), ficando o tempo dessa realização ao encargo do aluno; cabe ao aluno seguir ou não seguir, terminar logo ou não,  estacionar ou avançar.
         Assim é a Escola Vida, onde há um Diretor, e embora não possamos vê-lo e nem conhecê-lo, eis que há suas leis e regras, para um destino e objetivo traçado para a necessidade de cada aluno, pela aptidão de cada um, para que em cada etapa entre seus cursos (suas vidas), atinja seu nível máximo e passe à frente, ou retorne, caso não tenha passado nas “provas” da vida.
         Não compreenderemos a história do mundo se não entendermos as leis, pois a Lei de Deus é a que verdadeiramente a comanda; é ela que nos impõe o início do ciclo e seu esgotamento; é ela que faz nascer civilizações e desaparecer; é ela que determina os líderes e governantes. Ficamos sem entender nada, porque só enxergamos os choques desordenados e as ações externas que sacodem os povos, quando no âmago há sempre a ordem, um resultado. Ela, a Lei, é que faz a história. Isto é tão lógico, que se assim não fosse, o caos só geraria a desordem, e a história nos mostra que há uma linha exata de progressos e regressos, de revoluções e maturações, quando ciclos que em um período ora são destrutivos, ora criativos e construtivos em outro. Mas, quando uma civilização cai pode ter certeza que outra se levanta; se algo é destruído, é para reconstruir mais forte, melhor e mais alto. A história não é feita de fatos sucessivos e desordenados, mas é um funcionamento orgânico resultante do amadurecimento biológico. Nessas revoluções se encontram a exteriorização máxima do sofrimento, da dor e da morte, porque esses estados acompanham as civilizações enquanto elas disso necessitarem; a experiência dessas situações, e o esgotamento por enfrentá-los, atuarão, sem que ninguém perceba, no progresso individual de cada alma. E onde entram os líderes nisto tudo?
         A vida e missão de um governante mudam as vidas dos governados. Nesse início sintamos quanto é grave e perigosa tamanha responsabilidade. Nos povos se encontram uma grande reserva de homens-chave para todas as necessidades e coloca em evidência ora um, ora outro, de acordo com a sua especialização evolutiva, para que seu ser renda ao máximo para esta ou aquela civilização. A lei lhes garante substância e garantia nas forças biológicas, para o desenvolvimento de sua missão; mas derrubam-no logo que ele não lhe corresponda mais ao objetivo; assim no indivíduo, assim na coletividade (como exemplo, é só lembrar de Roma). Vejam só como funciona: a História chama esses homens-chave para as construções do futuro, incentiva-os, desperta-os, levanta-os; mas logo que cessa a função, seja pelo o abuso, tempo ou por não cumprimento a que foi chamado, derruba-os sem melindres, sem pena, sem saudosismo. Dá a cada um, segundo o que realizaram. Não é demais lembrar o que nos sucedeu nas mãos de líderes duvidosos ou sanguinários como: Adolf Hitler, Vladimir Lenin, Josef Stalin, Saddam Hussein, Ivan (o terrível), Muamar Kadaffi, Saloth Sar (Pol Pot - líder do Khmer vermelho), Mao Tsé-Tung, fora os que tinham o poder religioso e falharam, como alguns Papas, Aiatolás, etc. Como disse acima, a missão é gigantesca, o risco é terrível, e só passa pela prova e sobrevive quem tem raça, sabedoria, valores humanos superiores – não falo só de virtude, mas de comando-, sabendo intimamente valorizar e compreender as forças que estão em suas mãos; ajustam e controlam essas forças que os rodeiam, sem deixar serem arrastados por elas.
         A posição do líder é de dever e obediência, do exemplo aos princípios da Lei que a maioria desconhece ou despreza. A hierarquia humana é uma zona que tem limite máximo e mínimo, e essa posição é relativa porque existe sempre um Comando Superior além dos limites humanos, que premia ou pune tanto quanto deve prestar contas de suas obras, e esse comando é a Lei de Deus. O líder alegra ou decepciona a ordem divina, e é confiada tanto a quem subiu espiritualmente em sua experiência milenar, como quem não avançou espiritualmente. Toda função humana é missão, mesmo nas mais humildes atividades sociais; assim, o que subiu espiritualmente tem mais responsabilidades que aquele que não se elevou tanto. Justificou bem o Cristo quando nos disse: “a quem tem, muito será pedido; quem tem mais, lhe será acrescentado; quem não tem, lhe será tirado”. Isto é muito profundo e faz parte do mecanismo da Lei, e que só hoje entendemos o significado das palavras do Nazareno.
         Falo da base biológica da distribuição de poderes, cujos fins para se atingir a evolução não andam por regimes rígidos e sim flexíveis. Há uma responsabilidade única entre governante e governado, porque enquanto um tem o peso do mando, o outro tem o peso da obediência. Vai se expor à Lei de reação, quem assumir compromisso com a responsabilidade de dirigir e não corresponder, porque estará fraudando essa Lei, e armará contra si os acontecimentos humanos. Já lembramos dos romanos como exemplo, e lembraremos também da França. Durante a monarquia francesa, Luis XV mereceu a revolução; aqui a Lei o derrubou com os governados que não lhe deviam obediência; já Luis XVI, que foi um justo, sofreu sozinho contra o destino de classe, entre as forças que estavam saturadas e acumuladas durante um século; os governados não lhe deram obediência, porque essa construção social, mesmo baseada na legalidade, não pode resistir, enquanto não estiver sendo dirigida pelos princípios do Alto, por um impulso da Lei Divina, por isso aquele regime foi agredido por suas reações. Napoleão, que foi mero instrumento da guerra que difundiu as novas ideias, foi derrubado e tirado fora sem dó, logo que a sua função se encontrou esgotada pelos princípios daquele Comando Superior invisível. Vemos aqui o soberano domínio da Lei nos acontecimentos humanos, que muitos acham que tem acaso; por isso estamos resumindo a história e seus líderes para mostrarmos o entrelaçamento intrínsecos de forças e causas em movimento progressivo, cujas reações estabelecem o equilíbrio, afim de que ocorram as determinações Divinas. Basta examinar cada resultado.
         A humanidade sempre terá guias, e eles se encontram em todas as faixas e áreas da história da vida. Mas chegou o grande momento de uma nova direção para a curva da liderança. A nova civilização, que já estacionou suas bases no mundo, carece de um chefe para esse novo organismo que o homem sente, mas não vê.  Sempre que surge uma aurora para as novas civilizações ela vem acompanhada de grandes maturações sociais, e essa curva decisiva já se mostra no horizonte, e os homens não podem ser guiados por serpentes vacilantes. Nós parecemos estar perdidos em crises conflitantes, arruinados, desamparados de justiça, porque é esse o desenho que nos mostra o mundo; assim está escrita a história da humanidade e todo o seu passado. Mas apesar desse quadro, vemos uma forma por superfície, mas não é o que ocorre no fundo, onde impera uma ordem invisível aos olhos do homem comum. As forças do imponderável nos sustentam para que continuemos a construir e criar com nossa maturação, a nova estrada. Já disse que a vida do chefe é suprema missão, e Deus não nos deixará órfãos dos bons missionários, que nos tirem do lamaçal de dor e sofrimento que nós mesmos criamos nesses milênios de civilização.
         Mais uma vez chamo a atenção para a Grande Lei, que age no silêncio dos fenômenos, e que faz desencadear forças titânicas para sustentar todas as coisas, e amadurecer tudo com perfeita harmonia para metas já traçadas pelo Alto. A vida dos povos, por isso, não ficará isenta desses equilíbrios profundos, assim mesmo até nas que nem suspeitamos como a vida orgânica e inorgânica, por exemplo, tem de haver equilíbrio; sabemos que estas produzem, no seu momento de maturação evolutiva, a célula ou a molécula adequada; também ocorre isso com os povos, nesse momento decisivo da sua evolução, o seu líder, seu personagem, a sua ‘célula superior’, que se diferenciará pela sua direção e comando, porque essa será a sua natural capacidade. Não se enganem. O líder, nos momentos de exceção é escolhido por seleção biológica, porém no momento decisivo, a Lei intervém diretamente, superando qualquer convenção social dos homens. Alterando resultados inesperados. Podemos com segurança afirmar, que por essas mesmas leis biológicas, os povos recebem os líderes que merecem. Já ouvimos isso em algum lugar! Pois é assim. O povo produz aquilo que lhe é íntimo, que reconhece e se afina; como reclamar, algumas vezes de nossos líderes, se a massa tem o poder ¾ e muitas vezes não sabe ¾, de elegê-lo ou expulsá-lo. Querem um exemplo? Como podemos culpar só Hitler, quando todo o povo alemão em sua maioria concordou com ele?
O líder de uma raça, nem sempre é escolhido só pelo voto, mas pelos choques de forças sociais; não só por consenso dos homens, mas por consenso de forças estranhas contidas nas leis ocultas da vida; essas forças, cujo controle pertencem ao controle Superior de Deus, comumente arrastam, com seus líderes, grandes revoluções, furacões e tempestades sociais, aos quais os homens seguem, sem saber porque. É assim que esses líderes lá ficam no poder da vida coletiva maior, invulnerável, até que pelas mesmas leis biológicas, sua função social se encontre esgotada. Assim, vemos o quanto é absurdo pensarmos que o poder foi escolhido por baixo, pelos níveis biológicos involuídos que nada enxergam à frente, mas sim por uma Lei diretora da Vida, em um nível de evolução mais Alto que pode enxergar o futuro, incompreensível para nós no momento.
         Parece um absurdo minhas palavras ao afirmar que a direção da história e poder dos líderes tem concessão e determinação das forças Superiores. Isto que estamos discutindo aqui não tem só base no bom senso e no raciocínio, tem credibilidade nas escrituras sagradas, que o próprio Cristo já a endossou. Quando Pilatos questiona Jesus sobre o seu poder de libertá-lo ou condená-lo, o Mestre responde categoricamente: “nenhum poder terias sobre mim, se este não te fosse concedido pelos céus”. Abrimos aqui a discussão da impossibilidade desses líderes poderem vir com a permissão Divina, quando muitos deles são motivos de escândalos, guerras assassinas e toda uma sorte de atrocidades contra os povos, sejam o seu povo ou os povos vizinhos. Mas esta resposta do Nazareno não deixa dúvidas. Acontece que esses mesmos líderes não são chamados pelo Altíssimo para cumprirem detestável missão, que os levam muitas vezes a essas calamidades desses chefes inescrupulosos, sanguinários, e sim sua própria liberdade, seu irrefletido arbítrio que determina o seu mau ministério, fugindo aos propósitos determinados pela Lei Maior. Hitler não foi chamado pelo Alto, lhe dando permissão pra governar a Alemanha para assassinar os judeus, nem para dominar o mundo, mas infelizmente ele assim o quis. Sua função de líder se esgotou, foi abandonado pelas forças Superiores igual foi Napoleão, e vimos o que ocorreu.
         Para terminar esse tópico do poder do homem, precisamos saber de que líder necessita a Lei de Deus, e qual prevalecerá na humanidade do Terceiro Milênio. Sem nenhuma utopia, direi que os futuros líderes terão missão exclusiva de educar. Contamos nos dedos os que realizam bem a sua missão, mas o líder do futuro virá do lado espiritual da face Superior. Será aquele que governará por dever, não por direito; por ordem, não por arbítrio; doará, em vez de tomar; não vai pedir sacrifício, mas se sacrificará; não será servido, mas servirá. O Estado do futuro funcionará como verdadeiro organismo; o chefe será o cérebro e os cidadãos as inúmeras células, que mesmo em funções menores e independentes, terão funções coordenadas e harmônicas. E esse gigantesco Estado evoluirá de Estado da força para Estado do povo, convergindo as nações para os objetivos do Alto. Enquanto os povos não amadurecem, seus guias são aqueles que mandam e ordenam, mas como o mundo marcha para frente, os guias do futuro serão aqueles que educarão e ampararão.

Sub capítulo de meu livro Por Que Sofremos e Sentimos Dor?

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