Vamos finalizar nesta quinta parte do nosso “resumão”, tudo o que
entendemos por Evolução. Temos visto no mundo, através de nossa cultura ou
ciência, diversas posições sobre o que é evolução, onde mais detidamente se
observa e se estuda somente o aspecto biológico, geológico e sociológico quando
se fala em evoluir. Esquecem o principal! O que temos visto aqui nestas cinco partes
foi muito mais que isso. Entramos no assunto para ver o âmago de tudo; quisemos
perscrutar a gênese desse processo, enfim, o homem em seu tríplice aspecto:
corpo-alma-espírito. Para ser mais exato: biológico-espiritual! Queremos saber
“por que precisamos evoluir?”
A Evolução é um aspecto permanente do
Universo. O Cosmo, porém, é provisório. Tudo isto é fato! Basta lembrar que tudo
começou após o Big-Bang diferente do que é hoje; partículas, galáxias,
estrelas, planetas, tudo destinados a um “vir-a-ser”. Então, coube a este
“resumão” em particular, analisar a questão transcendente do homem em direção a
Deus. Creiamos ou não no Criador, os fatos cada vez mais colaboram para comprovar
que Evoluir é nosso destino e meta. Não
está apenas no âmbito religioso; e, como vimos, não é só a questão biológica,
geológica e sociológica.
Ao
iniciar nossa jornada com o Universo, não tem volta. Quando paramos para
filosofar, analisar a vida em nós e em nosso redor, sem admitir essa questão de
que participamos de um processo involuntário, inviolável e irresistível que é
Evoluir, a vida perde sentido. E como dissemos outras vezes: sem isso a conta
não fecha! Quando a realidade bate à nossa porta e nos desperta com as
provações da existência, é que nos damos conta de que há “algo mais”. Há algo
além no sofrer; há algo além no sentir dor; há algo além no porque termos de
enfrentar os portais da morte física!
O mundo parece nos dizer tudo ao contrário.
Nada parece que evolui e tudo parece ruir, se destruir; é que, nessa obra de Pietro Ubaldi, quando se estudar a
fundo esta questão, aprende-se que evoluir não é um trem seguindo um trilho em
linha reta. Há além de curvas, ciclos; há idas e voltas; há órbitas e trajetórias;
subir e descer; ir e retornar! Obedece a outras Leis; Leis que ainda não
dominamos e nem conhecemos de fundo, mas que as estudando e estudando-as em
parte como fazemos agora, nos aproxima para um entendimento; que nos alivia;
que nos conforta.
Vamos lá. Retornemos para concluir. Na
parte IV vimos as Três fases que o homem ainda involuído tem de seguir;
Ignorância; Experimentação; Conhecimento. O que mais nos afeta e nos perturba é
a questão do sofrimento e da dor como processo evolutivo. Perguntei a Deus
intimamente: “Mas tem de ser assim mesmo,
Senhor?” Quem já não fez este questionamento quando as provações chegaram a
algum momento de sua vida? Eu fiz! O livro Técnica
Funcional da Lei de Deus, que já citei aqui, me respondeu dúvida por
dúvida; nada ficou sem resposta. A segunda fase de o processo evolutivo vir a ser
da experimentação, vai nos levar ao aprendizado, seja ela com dor ou
sofrimento; ou não!... Tudo depende das escolhas. Tudo depende do que se
planta, para, no retorno de maturação da semente, não termos surpresas
desagradáveis. Escolhemos o que queremos colher lá na frente.
Vimos que o afastamento da criatura de seu
Criador foi a causa dessa perda do conhecimento. Isto implica que não há luz,
felicidade ou vida, sem Deus! No processo da fase ignorância, quando erramos e
lançamos uma trajetória Anti-Lei, leva a estabelecer, desde o princípio, os
caracteres da fase sucessiva; a trajetória seguinte; por isso, a segunda fase após o erro está
destinada a ser de sofrimento, de dor. Ora, o que leva o involuído a isso é
justamente do que ele se priva, ao se afastar de Deus. O ser, privado de
consciência e conhecimento, não sabe autodirigir-se com inteligência; ele segue
apenas os instintos e se deixa arrastar por eles. Nessa situação é fatal que o
ser erre, tome posições contrárias às Leis que agora não as conhece mais. Como
corrigir tais erros, fazendo-se compreender por quem ainda não tem capacidade?
Como ver, se está cego, ou como fazer-se ouvir se está surdo aos apelos Divinos?
Como exemplo, cito o homem em sua fase selvagem. Ele segue apenas instintos. Há
também fases no homem involuído, e no que vive hoje na Terra, já é diferente.
Ele já conhece a razão. Tanto ele quanto o homem selvagem são ignorantes, mas
somente perante as Leis Divinas, porém, para ambos o apelo para despertar é o
mesmo: Dor. O selvagem se esquiva da dor quando experimentando, viu com o que
não deve comer, o que deve beber, evitar com o que se fere, etc. Adquiri
conhecimento experimentando e não erra mais. Mesma coisa somos nós, ainda involuídos,
porém não mais selvagens, evoluímos em outro estágio. Falei nisso nas últimas
linhas da parte IV, que isto é o que disse quando se evolui sempre em um nível
biológico mais alto. O nível biológico que evoluímos hoje é muito mais alto que há 50 mil anos. Não resta
dúvida.
A principal função da evolução é corrigir
a criatura. Assim se justifica que apareça para nós na fase posterior de
Experimentação o sofrimento e a dor, necessárias na segunda fase para
desempenhar a função corretiva do erro. A Lei de Deus sempre vai estabelecer um
diálogo com o ser, dentro do seu nível biológico de entendimento, e ainda somos
infelizmente, tocados a fazer compreender a Lei pela dor. Para o indivíduo cuja natureza erra por
ignorância, não há meio mais seguro e eficaz. Por isso fizemos aquela pergunta:
como frear e fazer parar aquele que cada vez mais se afunda como Anti-Deus,
Anti-Lei, ferindo e destruindo tudo e todos ao seu redor? Por causa disso, a
cada erro a Lei reage com uma dor proporcional, a fim de cumprir a sua função
que é corrigir o ser. A finalidade principal é ensinar, e com isso, eliminar os
erros; a reação da Lei o coage e o restringe a fugir de tanto sofrimento e dor
que enfrentará em suas futuras existências, que analisando resultados tão ruins
dos erros que infringiu, faz cessar nele a vontade de repeti-los. Assim, Evolui
o ser. Deus responde à minha, à sua pergunta: “Tem de ser assim meus filhos, para vosso próprio bem!”
A
Lei de Deus tem sua própria técnica, técnica de salvação, que nos parece dizer:
“Erraste, corrige o teu erro”. O meio
para essa correção são os mecanismos da Evolução. Isto confirma que temos os elementos para
escapar da dor e do sofrimento. O mundo hoje está mergulhado na ilusão porque ignora
de onde partiu seu estado atual. Eis o problema da dor: A ignorância! A falta dela nos levará a chocar-se contra a
Lei, determinando assim suas contínuas reações. É justamente esta ignorância
que nos leva ao erro e esta à dor. Trata-se de uma “autopunição”, visto não ser
Deus o autor das punições, mas do próprio ser, que Dele se afastou. Nesta parte
V, vou insistir na questão do Conhecimento, porque este é o trabalho de todas
as criaturas no Cosmos, ‘trabalhosamente’ reconquistá-lo com a Evolução,
através de uma longa experiência. Aqui se confirma aquela questão da escolha,
da autopunição; se escolheu cair, é justo que agora lhe cabe a função de
reconstrução, que reconquiste o Conhecimento para subir.
Como recuperá-lo, se perdeu? Eis aqui uma
pergunta interessante, que nestes livros citados expõem que não é uma perda
definitiva. Ela é temporária. Está entregue nas mãos da criatura o tempo para
essa recuperação. Deus nos concedeu esta tarefa; cabe a nós o trunfo da
reconquista. Assim como afirmamos que cada filho de Deus não pode ser
destruído, porque tem a mesma substância de seu Pai, o Conhecimento não pode
ficar perdido para sempre! O ser, em sua queda espiritual pelo afastamento de
seu Criador, afundou este Conhecimento no inconsciente em que ficou latente e
de que é readquirido através da experimentação da vida neste Universo. Esta
experimentação, infelizmente é carregada de sofrimentos e dores, porque é
reconstruída em grande parte por erros, até que a evolução pouco a pouco nos
mostre pela experiência o que devemos evitar, se quisermos parar de sofrer.
Pois bem! Neste inconsciente vão-se
armazenando as novas experimentações, assimiladas, que assim se enriquecem e se
desenvolvem, dando ao ser, à sua personalidade, novas qualidades adquiridas.
Como isto ocorre? No consciente. O consciente é justamente a experimentação em
vida, que nos leva às novas aquisições. Somente com o superconsciente é que podemos
dizer que o ser afasta a ‘cegueira’ e abandona o método cognitivo do tato,
recuperando as funções perdidas da ‘vista’ que tinha antes da queda. Na condição
de vida atual, todos participam das três zonas do Conhecimento: inconsciência,
consciência e superconsciência. O ser que evoluiu, o gênio e o santo, ambos usam
mais a superconsciência. Vamos transcrever aqui o capítulo XII do livro citado
alhures, como ocorre este desenvolvimento: “o
Conhecimento, soterrado no inconsciente, se faz também através de três fases de
progressiva reconquista do Conhecimento e da consciência: 1ª fase) o
subconsciente que representa a parte mais baixa do consciente, onde estão
armazenadas as experiências vividas, embora do tipo animal; 2ª fase) o consciente, que representa a fase
ativa de experimentação e aquisição de novas qualidades mais evoluídas de tipo
humano, ao nível de vida atual; 3ª fase) o superconsciente projetado para
atividades futuras e dirigido a realizações hoje imaginadas sob forma de
ideais. Todos os seres, porém, no degrau evolutivo que atingiram, estão
empenhados, de acordo com o nível e grau de desenvolvimento, nessas
reconstruções de consciência. Cada forma de existir representa um determinado
plano de evolução conseguida, isto é, um dado grau de reconstrução realizada,
do reino mineral ao vegetal, ao animal, ao humano e ao super-humano. Cada vida
se eleva no substrato das suas experiências passadas, vividas nos planos mais
baixos; tem delas, no íntimo, o fruto que constitui sua sabedoria, isto é, a
sua emersão do inconsciente e conquista da consciência na subida do AS para o S. É por estas razões que o homem guarda consigo a sabedoria da
vida mineral, vegetal, animal, através das quais reconstruiu até a sua atual
fase humana; e agora, percorrendo-a, prepara-se para a super-humana, que
entrevê na luz do ideal lonquíquo.”
É isto meus queridos, minhas queridas! O
trabalho de reconstrução para evoluir é árduo. Recuperar o Conhecimento é duro
e lento. Fácil foi o de involuir, de destruir. Mesma coisa podemos ver no nosso
mundo. O que dá mais trabalho, destruir uma casa ou construí-la? Assim é a
nossa vida que deve ser refeita tijolo por tijolo, refazendo nossa casa que
tínhamos no mundo do S, de Deus,
derrubando-a. A metáfora se dá da mesma forma com a matéria desse Universo no AS, que também evolui. Não tem como se
livrar deste mundo que vivemos hoje o destruindo, porque sei, o que queríamos
era nos livrar dele, pois aqui impera as trevas, a maldade, a crueldade, a dor,
o sofrimento e a morte. Como não querer se livrar disso tudo? Porém, não
podemos tê-lo como inimigo, porque é este mesmo Universo de matéria em que estão
todas as oportunidades de redenção. Esta matéria tem de ser transformada, assim
como todos nós. É da Lei. Mas, da mesma forma que a Lei reage contra quem não a
obedece, ela é amiga e dá a mão a quem coopera com ela. É este o verdadeiro
significado quando Jesus nos ensinou o perdão eterno, sete vezes, sete vezes. Usando
a metáfora da casa. Quando qualquer ser pede a Deus perdão, porque destruiu por
vontade própria sua casa, abre-se lhe as portas do arrependimento, e ao mesmo
tempo a do reparo. Sempre! Por isso a tarefa de construir nova casa vai
deixando o ser cada vez mais cansado dessa insanidade de repetir tanto o mesmo
erro, que não vai querer destruir de novo, para não enfrentar o penoso trabalho
da dura, lenta e imensa da reconstrução. Esta percepção é quando ele evoluiu.
O que é um ser evoluído? A resposta não
seria dizer que muda então o seu conceito nominal como apenas um “ser
superior”. Ele não é um santo, nem um anjo, ingênuo ou inexperiente; a resposta
mais correta, seria dizer que é alguém que provou e conhece a vida, mesmo nos
seus planos mais baixos, de onde, porém, fez esforços no passado para emergir.
Jesus é um evoluído? Neste entendimento, não! Ele é superior. É diferente, dado
é claro aos contextos e níveis evolutivos dos quais nos escapam agora, porque
só sabemos evoluir na base do chicote da Lei. Cristo experimentou outras formas
para chegar até Deus, onde deu provas, por vontade própria que estava pronto,
colocando-se como exemplo de obediência e resignação, perante a Vontade do
Altíssimo. Jesus é um redimido, como será um dia todos nós conquistando nossa
redenção. Por este motivo falava tanto neste sentido de redenção. Por este
motivo também, Ubaldi nesta obra demonstrou que as três fases 1-ignorância,
2-experimentação, 3-conhecimento, chama-se “Ciclo da Redenção”. Como mesmo
afirmou Cristo, que sua Paixão na cruz era Seu “retorno” ao Pai, sua redenção.
Retornemos, pois também!
·
S = (mundo de Deus, Absoluto); AS = (universo da criatura, Relativo)